Catarata em cães e gatos: é possível voltar a enxergar?

Catarata em cães e gatos: Dr. Marcos Henrique de Carvalho no Pod? Le Pet!

Publicado em 8 de outubro de 2026

A catarata em cães e gatos nem sempre significa perda definitiva da visão. Com os avanços da oftalmologia veterinária, muitos animais diagnosticados com catarata podem, em determinadas condições, voltar a enxergar por meio de uma cirurgia especializada.

Mas todo animal com catarata pode ser operado? Como saber se a retina ainda funciona? Quais são os riscos da cirurgia e por que os cuidados pós-operatórios pesam tanto no resultado?

Essas foram algumas das questões do episódio 37 do Pod? Le Pet!, que recebeu o médico-veterinário Dr. Marcos Henrique de Carvalho, do Hospital Veterinário Biovet, de Taubaté (SP), para uma conversa sobre catarata em cães, diagnóstico oftalmológico e possibilidades de recuperação da visão. Abaixo, reunimos os principais pontos da entrevista.

O que é catarata em cães e gatos?

A catarata é a perda de transparência do cristalino, uma lente natural localizada dentro do olho, atrás da íris. Em condições normais, o cristalino deixa a luz passar até a retina e ajuda a formar as imagens. Na catarata, essa estrutura fica progressivamente opaca e dificulta (ou impede) a passagem da luz.

Durante o podcast, o Dr. Marcos usou uma comparação simples: a clara do ovo. Assim como a clara, transparente no início, fica branca quando aquecida, o cristalino com catarata perde a transparência. Dependendo da intensidade da opacidade, o animal pode ter desde alterações discretas da visão até a cegueira.

Quais são as principais causas da catarata em cães?

A catarata em cães não afeta apenas animais idosos. Ela pode surgir em diferentes fases da vida e estar ligada a diversas condições:

  • Envelhecimento: alterações no cristalino associadas à idade.
  • Predisposição hereditária: algumas raças têm maior risco de desenvolver catarata.
  • Catarata congênita ou juvenil: identificada desde o nascimento ou nos primeiros anos de vida.
  • Traumas oculares: pancadas e acidentes que lesionam o cristalino.
  • Doenças metabólicas: especialmente o diabetes mellitus, que pode alterar rapidamente a transparência do cristalino.

Diabetes pode causar cegueira repentina?

Sim. Na entrevista, foi destacado que alguns cães diabéticos apresentam uma evolução muito rápida da catarata. O tutor percebe que o animal enxergava normalmente e, pouco tempo depois, passa a ter dificuldade intensa para se orientar no ambiente. As alterações metabólicas do diabetes aceleram a opacificação do cristalino, por isso o cão diabético precisa de acompanhamento clínico e oftalmológico, principalmente quando surgem mudanças na aparência dos olhos ou no comportamento visual.

Como identificar os primeiros sinais de catarata em cães e gatos?

Os sinais variam conforme o estágio da doença. Vale observar dificuldade para localizar objetos, esbarrões em móveis, insegurança ao caminhar e mudanças na aparência dos olhos. Um sinal bastante relatado é uma coloração esbranquiçada ou azulada na região da pupila.

Mas atenção: nem todo olho azulado significa catarata.

Catarata ou esclerose nuclear: qual é a diferença?

O especialista explicou que a esclerose nuclear do cristalino costuma ser confundida com catarata. A esclerose nuclear é uma alteração do envelhecimento que deixa o cristalino com aspecto azulado ou acinzentado, geralmente sem comprometer de forma importante a visão. Já a catarata provoca uma opacidade que atrapalha a passagem da luz até a retina. Alterações da córnea, como edemas e lesões, também podem produzir uma aparência parecida. Só a avaliação oftalmológica identifica a origem correta.

Atenção: Olhos esbranquiçados, dor, vermelhidão ou perda súbita da visão exigem avaliação veterinária: algumas doenças oculares precisam de atendimento urgente.

Catarata em cães e gatos: Dr. Marcos Henrique de Carvalho no Pod? Le Pet!

Como é feito o diagnóstico da catarata em cães?

O diagnóstico da catarata em cães e gatos exige um exame oftalmológico completo, que diferencia a catarata de outras alterações e avalia a saúde do olho como um todo. No podcast, o Dr. Marcos apresentou alguns dos exames utilizados:

ExamePara que serve
Teste de SchirmerAvalia a produção lacrimal
Teste de fluoresceínaAjuda a identificar lesões e úlceras de córnea
TonometriaMede a pressão intraocular
Exame de fundo de olhoAvalia as estruturas internas, quando a transparência do olho permite
Ultrassonografia ocularAvalia estruturas internas e possíveis deslocamentos do cristalino
Eletrorretinografia (ERG)Avalia a resposta elétrica da retina aos estímulos luminosos

Esses exames são especialmente importantes quando existe a possibilidade de cirurgia.

Um cachorro com catarata pode voltar a enxergar?

Sim, e essa foi uma das principais mensagens da entrevista. A cirurgia de catarata em cães e gatos pode devolver a visão, desde que as estruturas responsáveis pela percepção visual estejam funcionando e o paciente tenha condições adequadas para o procedimento.

Por outro lado, retirar a catarata não significa, necessariamente, recuperar a visão. Se a retina estiver comprometida, a cirurgia pode não alcançar o resultado esperado. Daí a importância da eletrorretinografia na avaliação pré-operatória.

Por que a eletrorretinografia é tão importante?

A retina capta os estímulos luminosos e inicia a transmissão das informações visuais ao cérebro. A eletrorretinografia (ERG) mede a atividade elétrica dessa estrutura. Quando a catarata impede a passagem da luz e o fundo de olho não pode ser examinado, o ERG mostra se a retina responde de forma compatível com a recuperação visual. A decisão cirúrgica considera o ERG junto com os demais exames, e não um resultado isolado.

Como funciona a cirurgia de catarata em cães e gatos?

A técnica discutida no podcast foi a facoemulsificação, que usa energia ultrassônica para fragmentar o conteúdo opaco do cristalino e permitir sua remoção. De forma simplificada, a cirurgia envolve pequenas incisões, a abertura controlada da cápsula anterior do cristalino e a retirada do material opacificado. Quando a anatomia permite, também é implantada uma lente intraocular.

O especialista lembrou que existem outras técnicas, como a extração extracapsular e a intracapsular, escolhidas conforme as características do olho e a condição do cristalino.

O animal enxerga sem lente intraocular?

Em alguns casos, sim. Mesmo sem o implante, o animal pode recuperar uma visão funcional após a retirada da catarata, desde que as demais estruturas estejam preservadas. A ausência do cristalino, porém, altera a capacidade de foco e pode prejudicar a nitidez e a noção de profundidade. Quando indicada e viável, a lente busca uma visão de melhor qualidade.

Todo animal com catarata pode ser operado?

Não. Na catarata em cães e gatos, a indicação cirúrgica depende de uma avaliação individualizada. Além dos exames oftalmológicos, o médico-veterinário considera o estado geral de saúde, doenças associadas, risco anestésico e as condições para o pós-operatório.

Um ponto muito enfatizado pelo Dr. Marcos foi o comportamento do animal: cães muito agitados ou que não aceitam colírio podem ter uma recuperação difícil. O comprometimento do tutor também é decisivo, porque o tratamento depois da cirurgia exige dedicação, disciplina e acompanhamento.

Cachorro diabético pode fazer cirurgia de catarata?

O diabetes, por si só, não é uma contraindicação absoluta. Cães com a doença bem controlada podem ser candidatos ao procedimento, mas é preciso avaliar com cuidado o estado clínico, o risco anestésico e a possibilidade de complicações.

Como é o pós-operatório da cirurgia de catarata em cães?

A recuperação foi um dos temas de maior destaque da conversa. Segundo o Dr. Marcos, o sucesso não depende só da técnica cirúrgica, mas também dos cuidados em casa:

  • Aplicar rigorosamente os colírios prescritos, nos horários definidos.
  • Usar o colar protetor pelo período recomendado.
  • Evitar traumas, coceira e impactos na região dos olhos.
  • Controlar atividades que possam comprometer a recuperação.
  • Comparecer a todos os retornos oftalmológicos.
  • Observar dor, vermelhidão, secreção ou mudanças na visão.

O especialista descreveu um acompanhamento bem intenso nas primeiras semanas, com redução gradual da frequência dos medicamentos conforme a evolução. O tempo de recuperação e o protocolo variam entre pacientes e devem ser definidos pelo cirurgião responsável.

Quais são os riscos da cirurgia de catarata em cães?

Como qualquer cirurgia, a de catarata tem riscos. No episódio, foram discutidas complicações como infecção, inflamação intraocular, aumento da pressão ocular e glaucoma.

O que é glaucoma?

O glaucoma é uma doença ocular que lesa o nervo óptico, frequentemente por aumento da pressão intraocular, e pode causar dor intensa e perda irreversível da visão. Inflamações, alterações do cristalino e complicações cirúrgicas podem atrapalhar a drenagem do humor aquoso e elevar essa pressão. Nem toda catarata em cães evolui para glaucoma, mas algumas cataratas vêm acompanhadas de inflamação e outras complicações que aumentam esse risco. Por isso o acompanhamento oftalmológico é indispensável, tanto para animais operados quanto para aqueles em que a cirurgia não foi indicada.

Quando é o melhor momento para operar?

Não existe um prazo único. A decisão de operar a catarata em cães depende do estágio da catarata, da presença de inflamação, das condições clínicas e dos resultados dos exames. Em alguns casos, é preciso controlar antes alterações oculares ou doenças sistêmicas; em outros, a cirurgia pode ser programada logo após os exames e a avaliação do especialista. O mais importante é não esperar a perda completa da visão para procurar atendimento.

Manipulação veterinária no tratamento oftalmológico

O tratamento de doenças oculares muitas vezes exige medicamentos específicos, concentrações individualizadas e apresentações adequadas a cada paciente. A manipulação veterinária permite preparar essas formulações conforme a prescrição do médico-veterinário.

A Le Pet Santé atua na manipulação de medicamentos veterinários, incluindo formulações oftálmicas estéreis, além de produtos e materiais voltados à saúde ocular. No episódio, também foram destacados o portfólio de formas farmacêuticas, a linha médico-hospitalar e a agilidade no atendimento das prescrições. Os medicamentos usados antes ou depois da cirurgia de catarata em cães e gatos devem ser definidos exclusivamente pelo médico-veterinário responsável.

Perguntas frequentes sobre catarata em cães e gatos

Cachorro com catarata pode voltar a enxergar?

Sim. A cirurgia pode devolver a visão quando a retina está funcional e o paciente tem condições adequadas para o procedimento.

Existe colírio que cura catarata em cães?

Não existe colírio com eficácia comprovada para reverter uma catarata estabelecida. O tratamento que remove a opacidade do cristalino é cirúrgico.

Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia?

Os cuidados são mais intensos nas primeiras semanas. O tempo varia conforme o paciente, e o acompanhamento oftalmológico pode continuar por meses.

Como saber se meu cachorro está ficando cego?

Esbarrões em móveis, dificuldade para achar objetos, insegurança ao caminhar e mudanças na aparência dos olhos podem indicar problemas visuais. Procure um médico-veterinário.

Conclusão: a catarata não precisa ser o fim da visão

A mensagem central do episódio é que a perda de visão causada pela catarata em cães e gatos pode ter tratamento. Exames especializados e técnicas cirúrgicas modernas permitem avaliar a chance de recuperação visual de cada paciente, mas o resultado depende da integridade da retina, das condições gerais do animal, da técnica utilizada e dos cuidados pós-operatórios. Percebeu alguma alteração nos olhos do seu pet? Procure um médico-veterinário: o diagnóstico precoce faz diferença.

Assista ao episódio completo

O papo completo com o Dr. Marcos Henrique de Carvalho sobre catarata em cães e gatos está no canal da Le Pet Santé no YouTube. Também vale conferir outros conteúdos de oftalmologia do blog, como a ceratoconjuntivite seca em cães e as doenças oculares em cães, além do episódio anterior do podcast, sobre viajar com pet, e todos os episódios na categoria Podcast.

Nota editorial: texto adaptado do diálogo do podcast. As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento médico-veterinário.

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