Publicado em 22 de setembro de 2026
A ceratoconjuntivite seca em cães, também conhecida como olho seco, ocorre quando há comprometimento da quantidade ou da qualidade do filme lacrimal. Tacrolimus, ciclosporina e lubrificantes oculares podem fazer parte do tratamento, sempre de acordo com o diagnóstico e a prescrição do médico-veterinário.
Olhos vermelhos, secreção frequente, coceira, desconforto e aquela remela que insiste em voltar podem parecer problemas simples. Em alguns animais, porém, esses sinais estão ligados a uma condição que merece atenção. O tema apareceu várias vezes nas conversas com especialistas em oftalmologia veterinária no Pod? Le Pet Santé, e um recado se repete: secreção ocular recorrente não é “normal da raça”. Quanto antes o problema é identificado e controlado, melhor para a saúde da superfície ocular.
O que é ceratoconjuntivite seca em cães?
A ceratoconjuntivite seca em cães (CCS) é uma alteração da superfície ocular causada pela deficiência ou inadequação do filme lacrimal.
A lágrima não serve apenas para deixar o olho “molhado”. Ela mantém a superfície ocular limpa, protegida, transparente e hidratada. Quando essa proteção falha, surge um processo inflamatório, com desconforto e alterações na córnea e na conjuntiva.
O olho seco está entre os problemas oftálmicos mais vistos na rotina veterinária, principalmente em animais com características anatômicas que aumentam a exposição do olho, como algumas raças braquicefálicas.
Quais são os sintomas de olho seco em cães?
Um dos maiores desafios é que o tutor se acostuma com certas alterações e passa a achar que são normais. O desconforto também nem sempre aparece como a pata no olho: muitos animais esfregam o rosto em paredes, móveis ou tapetes.
Sinais que merecem atenção:
- secreção ou remela recorrente;
- vermelhidão nos olhos;
- coceira ocular;
- piscar excessivo;
- um dos olhos parcialmente fechado;
- esfregar o rosto ou os olhos;
- alterações na aparência ou na transparência da córnea;
- episódios tratados repetidamente como “conjuntivite”.
Mudanças na cor ou no tamanho do olho também justificam avaliação veterinária.
Remela no olho do cachorro é normal?
“Meu cachorro sempre teve remela” é uma frase comum no consultório. Mas o fato de uma raça ter mais problemas oculares não significa que secreção persistente seja normal. Quando secreção, vermelhidão, coceira ou desconforto voltam com frequência, é preciso investigar a causa.
Isso é importante porque um quadro interpretado como conjuntivite pode melhorar por um tempo com determinados tratamentos e depois retornar. A recorrência é justamente um dos sinais de que existe uma causa de base, e a ceratoconjuntivite seca em cães é uma das possibilidades.
O que causa ceratoconjuntivite seca em cães?
As causas variam. Em muitos cães há um componente imunomediado, em que o próprio organismo prejudica a glândula responsável pela produção de lágrimas. Fatores anatômicos, como a maior exposição ocular dos braquicefálicos, também pesam. Outras causas possíveis incluem alterações congênitas, doenças sistêmicas, efeitos de alguns medicamentos e problemas neurológicos. Identificar a origem é o que orienta o tratamento.
Como é feito o diagnóstico do olho seco em cães?
O diagnóstico é feito pelo médico-veterinário, de preferência com uma avaliação oftálmica completa. Os especialistas do podcast reforçam a importância do oftalmologista veterinário e de exames que analisam diferentes estruturas e funções do olho. No olho seco, medir a produção lacrimal é essencial.
Por isso não é indicado escolher um colírio pela aparência do olho. Olho vermelho não é diagnóstico. Secreção não é diagnóstico. Coceira não é diagnóstico. São sinais que aparecem em doenças diferentes.
O que é o teste de Schirmer?
O teste de Schirmer é o exame que mede a produção de lágrimas. Uma fita de papel graduada é posicionada rapidamente na pálpebra e, após um tempo padronizado, o veterinário verifica quanto ela umedeceu. O resultado ajuda a confirmar o olho seco e, depois, a acompanhar a resposta ao tratamento.

Como tratar a ceratoconjuntivite seca em cães?
O tratamento costuma combinar duas frentes: atuar sobre o mecanismo que reduz a produção de lágrimas e proteger a superfície ocular enquanto isso. É aí que entram os imunomoduladores (ciclosporina e tacrolimus) e os lubrificantes oculares. A escolha da substância, da concentração, do veículo, da frequência e da duração depende de cada paciente.
Como a ciclosporina é utilizada no olho seco em cães?
A ciclosporina é um dos imunomoduladores usados na oftalmologia veterinária em determinados casos de olho seco. O objetivo não é apenas “molhar” o olho: quando existe um componente inflamatório ou imunomediado na redução da lágrima, o veterinário pode prescrever um tratamento que atue nesse mecanismo. Na manipulação, ela pode ser preparada em diferentes concentrações, como o colírio de ciclosporina 0,5% e o colírio de ciclosporina 1%, conforme a prescrição.
Como o tacrolimus é utilizado na ceratoconjuntivite seca?
O tacrolimus também é um imunomodulador presente na rotina oftalmológica veterinária. Como na ciclosporina, o uso faz parte de um protocolo definido pelo médico-veterinário: não existe uma concentração universal para todo animal com olho seco. Os especialistas lembram que, no passado, essas formulações eram difíceis de encontrar, e a manipulação veterinária ampliou o acesso. Hoje é possível trabalhar, por exemplo, com tacrolimus 0,03%, tacrolimus 0,05% ou tacrolimus 0,1%.
Tacrolimus ou ciclosporina: qual a diferença?
A pergunta “qual é melhor?” não se responde comparando só os princípios ativos. O veterinário considera a causa do olho seco, a intensidade da alteração, a produção lacrimal, a condição da córnea, a resposta a tratamentos anteriores e as características do paciente. Em alguns casos a escolha será a ciclosporina; em outros, o tacrolimus. O acompanhamento mostra se a resposta está adequada e se é preciso ajustar.
A pergunta mais útil é outra: qual estratégia é mais adequada para este paciente?
Qual a função dos lubrificantes oculares?
Os lubrificantes cumprem um papel diferente dos imunomoduladores. Enquanto tacrolimus e ciclosporina atuam sobre mecanismos da doença, os lubrificantes (as chamadas lágrimas artificiais) ajudam a manter a superfície ocular hidratada e protegida. Um exemplo é o gel de hialuronato de sódio 1% com D-pantenol 5%. Em muitos protocolos, as duas classes são complementares, e não concorrentes.
Lubrificante ocular substitui tacrolimus ou ciclosporina?
Não necessariamente. Se a produção de lágrimas está reduzida por causa da doença, apenas lubrificar pode aliviar a superfície por um tempo sem controlar a causa. Da mesma forma, o imunomodulador não elimina a necessidade de proteger e hidratar o olho enquanto começa a fazer efeito. Por isso o protocolo é individualizado.
Olho seco pode causar úlcera de córnea?
Pode haver relação. Sem a proteção adequada do filme lacrimal, a córnea fica mais vulnerável a irritação, inflamação e trauma, e o próprio desconforto leva o animal a coçar o olho, agravando lesões. Os especialistas explicam que, diante de uma úlcera de córnea associada a ressecamento importante, é preciso tratar também a causa do olho seco. Caso contrário, a lesão pode voltar.
Por que a manipulação veterinária é importante na oftalmologia?
Alguns medicamentos oftálmicos não têm apresentação comercial disponível para uso veterinário. A manipulação permite que o veterinário trabalhe com concentrações e apresentações adequadas ao paciente e, quando tecnicamente viável e estável, com associações que simplificam o manejo. Estabilidade, compatibilidade e segurança da formulação sempre precisam ser consideradas.
O tratamento da ceratoconjuntivite seca é contínuo?
Em muitos pacientes, a ceratoconjuntivite seca em cães é uma condição de controle. O animal melhora, a secreção diminui, o olho parece normal, e o tutor pensa: “já está bom, posso parar o colírio”. Essa decisão não deve ser tomada sem orientação veterinária. Dependendo da causa, interromper o tratamento permite que o problema volte.
O acompanhamento faz parte do tratamento. Nas revisões, o veterinário avalia a produção lacrimal, a inflamação, a superfície da córnea e os sinais clínicos, e mantém ou ajusta o protocolo.
Atenção especial aos cães braquicefálicos
Shih-tzu, Pug, Lhasa Apso e Bulldogs aparecem nas conversas como exemplos de cães em que a anatomia aumenta a exposição ocular. Nesses pacientes, pequenas alterações merecem ainda mais atenção: secreção, vermelhidão, coceira, olho parcialmente fechado e mudanças de comportamento.
Quando procurar um oftalmologista veterinário?
Uma mensagem recorrente nas entrevistas é que o olho não deve esperar. Um olho vermelho pode ter causas completamente diferentes de um paciente para outro, e problemas que parecem pequenos podem evoluir. Diante de dor, secreção persistente, vermelhidão, coceira, alteração da córnea ou dificuldade para manter o olho aberto, procure avaliação veterinária. Para entender outras doenças que afetam os olhos, veja também o nosso post sobre doenças oculares em cães.
Perguntas frequentes sobre ceratoconjuntivite seca em cães
Ceratoconjuntivite seca em cães tem cura?
Depende da causa e do paciente. Em muitos casos, o objetivo é manter a doença controlada e preservar a superfície ocular com acompanhamento veterinário.
Tacrolimus serve para olho seco em cães?
O tacrolimus é um dos imunomoduladores que o médico-veterinário pode prescrever em determinados casos de ceratoconjuntivite seca.
Ciclosporina serve para olho seco em cães?
Sim, a ciclosporina pode fazer parte do tratamento. Indicação, concentração e frequência dependem da avaliação do paciente.
Lubrificante ocular trata o olho seco?
Os lubrificantes hidratam e protegem a superfície ocular, mas têm função diferente dos imunomoduladores. Dependendo do caso, são usados de forma complementar.
Conclusão
A ceratoconjuntivite seca em cães vai muito além de um olho ressecado: a alteração do filme lacrimal provoca inflamação, desconforto e favorece problemas na córnea. Tacrolimus e ciclosporina são imunomoduladores usados em protocolos definidos pelo médico-veterinário, e os lubrificantes ajudam a hidratar e proteger o olho. Não existe colírio universal. Diagnóstico correto, formulação adequada, adesão ao tratamento e acompanhamento são o que preserva o conforto, a córnea e a visão do paciente.
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Conteúdo informativo. Tacrolimus, ciclosporina e demais medicamentos oftálmicos devem ser usados somente com prescrição e acompanhamento do médico-veterinário.
Assista aos episódios completos
Este conteúdo reúne pontos das conversas com especialistas em oftalmologia veterinária no Pod? Le Pet Santé. Assista aos episódios no YouTube:
Episódio 19: Dr. Fabricio Mamede
Episódio 21: Dra. Evian Valli Aguia
Episódio 28: Dr. Gláuber Tasso
Episódio 29: Dra. Bruna Tasca Castelar
Episódio 33: Dra. Elaine Santos
Confira todos os episódios na categoria Podcast.


