Publicado em 17 de agosto de 2026
A oftalmologia veterinária é a especialidade dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças que afetam os olhos dos animais. Entre os problemas mais frequentes atendidos na oftalmologia veterinária estão o olho seco, as úlceras de córnea e a catarata em cães.
Em um episódio especial do Pod? Le Pet Santé, gravado em Araraquara, o médico-veterinário Dr. Glauber Tasso compartilhou sua trajetória e abordou os principais desafios da rotina da oftalmologia veterinária. A conversa passou por cirurgia de catarata, olho seco, saúde da superfície ocular, úlcera de córnea, capacitação profissional e a importância da parceria entre especialista, clínico geral e tutor.

O que é oftalmologia veterinária e quando procurar um especialista?
A oftalmologia veterinária cuida da visão e das estruturas relacionadas aos olhos dos animais, do diagnóstico precoce ao tratamento clínico e cirúrgico. Vermelhidão, secreção recorrente, coceira, dor, dificuldade para abrir o olho ou qualquer alteração visível na córnea são sinais de que vale procurar avaliação especializada. Quanto antes o problema é identificado, maiores são as chances de preservar a visão e a qualidade de vida do pet.
Da graduação à oftalmologia veterinária
O interesse do Dr. Glauber pela área começou ainda na graduação. Depois de um curso de especialidades em Ribeirão Preto, ele passou a estudar livros e vídeos sobre o assunto. Assistir a cirurgias de catarata foi um dos momentos que despertaram de vez sua atenção: a complexidade dos procedimentos mostrava um universo dentro da Medicina Veterinária que ele ainda queria explorar.
Essa curiosidade virou uma trajetória de estudo, especialização, prática clínica e treinamento cirúrgico. E a história revela uma característica importante da profissão: a graduação é apenas o começo. Em especialidades altamente técnicas como a oftalmologia veterinária, o desenvolvimento exige atualização contínua, treinamento e experiência prática.
Cirurgia de catarata em cães: técnica, treinamento e experiência
Um dos grandes desafios abordados na conversa foi a cirurgia de catarata em cães. O procedimento exige domínio de microcirurgia, conhecimento detalhado da anatomia ocular e familiaridade com equipamentos específicos. Dr. Glauber conta que iniciou a preparação para operar catarata em 2018 e realizou seu primeiro caso em 2019, após cerca de um ano de treinamento.
Para organizar esse aprendizado, ele criou um conceito chamado VETOR:
- V, Visualizar: assistir a procedimentos e observar como outros profissionais trabalham.
- E, Estudar: compreender a fundo o olho, as técnicas, os equipamentos e as possíveis intercorrências.
- T, Treinar: praticar repetidamente cada etapa antes de realizá-la em pacientes.
- O, Observar: participar de forma ativa de procedimentos feitos por profissionais mais experientes.
- R, Realizar: chegar ao momento de executar o procedimento no paciente, assumindo a responsabilidade profissional.
O princípio é simples: não existem atalhos para procedimentos de alta complexidade.
Olho seco em cães: um problema que pode passar despercebido
Entre as alterações mais frequentes na rotina da oftalmologia veterinária está oo olho seco em cães. O problema é que os primeiros sinais costumam ser subestimados: uma pequena vermelhidão, secreção ocular recorrente ou alterações que aparecem e desaparecem podem ser interpretadas pelo tutor como algo normal. Com o tempo, porém, o quadro pode se tornar crônico. Por isso, alterações persistentes nos olhos não devem ser banalizadas.
Os 4 pilares da saúde da superfície ocular
Uma forma didática apresentada na entrevista para entender a saúde da superfície ocular é observar quatro funções fundamentais:
- Produzir a lágrima: o olho precisa de produção lacrimal adequada. Um dos exames usados para avaliar isso é o teste de Schirmer.
- Distribuir a lágrima: não basta produzir. O piscar precisa espalhar a lágrima pela superfície, e alterações em pálpebras, cílios ou pelos em contato com o olho podem atrapalhar.
- Reter a lágrima: ela precisa permanecer sobre a superfície pelo tempo necessário, então qualidade e estabilidade também contam. Em alguns casos, lubrificantes oculares fazem parte da estratégia definida pelo médico-veterinário.
- Drenar a lágrima: por fim, ela precisa seguir pelo sistema de drenagem, incluindo o ducto nasolacrimal.
Ou seja, avaliar um paciente com olho seco significa observar muito mais do que apenas a quantidade de lágrima produzida.
Como é feito o diagnóstico do olho seco em cães?
O olho seco pode envolver diferentes fatores. Produção, distribuição, retenção e drenagem precisam ser consideradas em conjunto. Além disso, alterações dermatológicas, hormonais e ambientais podem influenciar a condição. Isso ajuda a explicar por que dois pacientes parecidos podem precisar de abordagens diferentes. Outro ponto essencial é a adesão ao tratamento: em quadros crônicos, o acompanhamento contínuo e a comunicação clara com o tutor são fundamentais.
Úlcera de córnea em cães: causas e sinais de alerta
Outro diagnóstico frequente na rotina oftalmológica é a úlcera de córnea em cães. Ela pode estar ligada a traumas como arranhões, brigas entre animais, acidentes ou o próprio ato de coçar o olho por causa de outro problema ocular. A evolução de alguns casos pode ser rápida: segundo a entrevista, quando existe contaminação, em 24 a 48 horas pode ocorrer a ação de metaloproteinases e o desenvolvimento do chamado “melting” corneano, processo associado à degradação do colágeno da córnea.
Por isso, merecem avaliação veterinária sinais como:
- olho fechado ou dificuldade para abri-lo;
- vermelhidão intensa;
- dor;
- coceira;
- alteração visível na superfície da córnea.
Um detalhe importante: uma úlcera muito profunda pode não doer proporcionalmente mais do que uma superficial. Ou seja, a redução aparente da dor não significa necessariamente que o problema está melhorando.
Como tratar a úlcera de córnea em cães?
A abordagem depende da profundidade, da causa e da condição clínica de cada paciente, e o tratamento deve ser determinado pelo médico-veterinário após avaliação ocular. Na entrevista, a condução aparece de forma didática em três momentos:
- Cicatrização: controlar os fatores que comprometem a córnea e criar condições para a recuperação.
- Controle da inflamação: depois que a córnea cicatriza, começa outra etapa do manejo.
- Prevenção: investigar por que a úlcera aconteceu e reduzir o risco de recorrência, incluindo a avaliação de condições como olho seco e outras alterações da superfície ocular.
Essa divisão ajuda o tutor a entender que o tratamento não termina necessariamente quando a úlcera fecha.
EDTA e colírios no tratamento da úlcera de córnea
Durante a entrevista, o Dr. Glauber comenta o uso de inibidores de metaloproteinases, incluindo o EDTA, em determinados processos de cicatrização, além da associação com antibóticos na rotina clínica. A escolha do princípio ativo, da concentração, da frequência e das associações depende da avaliação veterinária e das características de cada caso.
Um alerta importante é o cuidado com anti-inflamatórios em pacientes com úlcera, em especial os corticoides, já que o manejo inadequado pode interferir negativamente no processo. Por isso, nunca utilize colírios ou medicamentos por conta própria diante de uma alteração ocular. Quando há necessidade de fórmulas específicas, a manipulação veterinária pode preparar o medicamento na concentração indicada pelo profissional.
Qual é a importância do tutor durante o tratamento?
O sucesso terapêutico não depende só do especialista. Na prática, existe uma equipe formada pelo médico-veterinário especialista, pelo clínico que acompanha o paciente e pelo tutor. Todos precisam entender o objetivo do tratamento e seguir na mesma direção. Aplicar os colírios nos horários certos, comparecer às reavaliações e comunicar rapidamente qualquer mudança são atitudes que influenciam diretamente a evolução do paciente.
Educação continuada ajuda a preservar a visão
Outro ponto marcante da trajetória apresentada no Pod? Le Pet Santé é a educação continuada. Dr. Glauber realiza treinamentos e capacitações sobre temas como olho vermelho, olho seco e úlcera de córnea, alcançando médicos-veterinários e estudantes. Esse tipo de formação favorece a identificação mais precoce das doenças oculares, o que é especialmente relevante porque o clínico geral costuma ser o primeiro a receber o paciente. Saber reconhecer quando um quadro precisa de investigação adicional ou de encaminhamento ao oftalmologista pode fazer diferença na evolução do caso.
Quando procurar um oftalmologista veterinário?
Para o tutor, a mensagem principal é simples: alterações oculares não devem ser ignoradas. Vermelhidão, secreção, dor, coceira, dificuldade para abrir os olhos ou mudanças na aparência da córnea são motivos para procurar orientação. Um oftalmologista veterinário consegue avaliar a superfície ocular como um todo, identificar a causa e definir o tratamento adequado. Quanto mais cedo o problema é reconhecido, maiores as chances de conduzi-lo bem e preservar a saúde ocular do pet.
Perguntas frequentes sobre oftalmologia veterinária
O que faz um oftalmologista veterinário?
Ele avalia, diagnostica e trata alterações que afetam os olhos e as estruturas relacionadas, incluindo doenças da superfície ocular e condições que podem exigir tratamento cirúrgico.
Quais são os sinais de problemas nos olhos dos cães?
Vermelhidão, secreção, coceira, dificuldade para abrir o olho, dor e alterações visíveis na córnea merecem avaliação veterinária.
Olho seco em cães tem tratamento?
Sim. O tratamento depende da causa e da condição da superfície ocular. Na entrevista, são destacados quatro aspectos: produção, distribuição, retenção e drenagem da lágrima.
Úlcera de córnea em cães é uma emergência?
Alguns casos evoluem rápido. A entrevista destaca que processos de degradação da córnea podem ocorrer em períodos curtos, por isso é importante procurar atendimento diante de sinais suspeitos.
Catarata em cães pode ser operada?
Existem procedimentos cirúrgicos para catarata, mas a indicação e o planejamento dependem da avaliação oftalmológica individual do paciente.
Assista ao episódio completo
Este conteúdo é baseado no episódio do Pod? Le Pet Santé sobre oftalmologia veterinária, com o médico-veterinário Dr. Glauber Tasso. Confira também o episódio anterior do podcast e acompanhe as conversas no canal do Pod? Le Pet Santé no YouTube.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a prescrição de um médico-veterinário.


