Publicado em 8 de julho de 2026
A coceira constante em cães e gatos nunca deve ser considerada normal. Embora muitos tutores associem esse comportamento apenas à presença de pulgas ou à troca de pelos, os problemas dermatológicos podem estar relacionados a alergias, infecções, alterações genéticas e até doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida do animal.
No episódio 23 do POD Le Pet Santé, recebemos a médica-veterinária Dra. Isabela Souza Lima, especialista em Dermatologia Veterinária, para esclarecer as principais dúvidas sobre doenças de pele, alergias, otites, exames dermatológicos e as opções mais modernas de tratamento.
Neste artigo, reunimos os principais pontos discutidos durante o episódio.
A dermatologia veterinária vai muito além da pele
Quando um cão ou gato apresenta coceira frequente, vermelhidão, descamação, infecções recorrentes ou lambedura excessiva das patas, é importante compreender que esses sintomas podem ter diversas origens.
Segundo a Dra. Isabela, diferentes doenças dermatológicas apresentam sinais clínicos muito parecidos. Por isso, o diagnóstico correto depende de uma investigação detalhada e não apenas da observação dos sintomas.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Coceira intensa;
- Pele avermelhada;
- Infecções recorrentes;
- Queda de pelos;
- Mau cheiro na pele;
- Descamação;
- Otites frequentes;
- Lambedura constante das patas.
A principal causa de alergia em cães pode surpreender
Um dos pontos mais importantes da conversa foi a explicação sobre a Dermatite Alérgica à Picada de Pulgas (DAPP).
Mesmo que o tutor não veja pulgas no animal, isso não significa que elas não estejam presentes.
Na maioria dos casos, apenas uma pequena parte da população de pulgas permanece sobre o animal. O restante está distribuído no ambiente, em forma de ovos, larvas e pupas.
Em cães alérgicos, uma única picada pode desencadear uma reação intensa em todo o organismo.
Por isso, o controle contínuo contra pulgas é considerado uma das medidas preventivas mais importantes da dermatologia veterinária.
Dermatite atópica: uma doença sem cura, mas com controle
Outro tema de destaque foi a dermatite atópica.
Trata-se de uma doença genética, inflamatória e crônica que afeta principalmente cães predispostos, como:
- Shih Tzu;
- Pug;
- Bulldog Francês;
- Golden Retriever.
Esses animais apresentam uma alteração na barreira cutânea, tornando a pele mais vulnerável à perda de hidratação, entrada de alérgenos e infecções secundárias.
Além disso, fatores ambientais podem agravar o quadro, como:
- Ácaros;
- Poeira;
- Pólen;
- Produtos de limpeza;
- Poluição;
- Umidade.
Embora não exista cura, atualmente existem diversas estratégias para controlar a doença e proporcionar qualidade de vida ao paciente.
Alergia alimentar existe, mas não é a mais comum
Muitos tutores acreditam que toda alergia em cães está relacionada à alimentação.
No entanto, segundo a especialista, essa não costuma ser a principal causa.
Os alimentos que mais frequentemente provocam reações incluem:
- Frango;
- Carne bovina;
- Leite e derivados;
- Ovos.
O diagnóstico é feito através da chamada dieta de eliminação, utilizando proteínas hidrolisadas ou proteínas inéditas por um período prolongado.
Somente após essa etapa é possível confirmar ou descartar uma alergia alimentar.
Como identificar quando a coceira é preocupante?
A coceira passa a exigir investigação quando interfere na rotina do animal.
Alguns sinais importantes incluem:
- O pet para de brincar para se coçar;
- Dorme mal;
- Lambe as patas constantemente;
- Apresenta vermelhidão persistente;
- Desenvolve feridas;
- Tem infecções repetidas.
Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de controlar a doença antes que ela evolua.
Infecções recorrentes também fazem parte do problema
Animais alérgicos frequentemente desenvolvem infecções secundárias por bactérias ou fungos.
Isso acontece porque a barreira de proteção da pele fica comprometida, permitindo a proliferação de micro-organismos que normalmente já vivem na pele.
Nesses casos, apenas controlar a alergia pode não ser suficiente.
Também é necessário tratar a infecção presente naquele momento.
Otite: um problema muito mais sério do que parece
A conversa também abordou um tema extremamente importante: as otites.
A inflamação do ouvido pode estar diretamente relacionada às alergias e, quando negligenciada, evoluir para quadros muito mais graves.
Entre as possíveis consequências estão:
- Otites crônicas;
- Ruptura do tímpano;
- Infecções profundas;
- Formação de pólipos;
- Tumores;
- Alterações neurológicas relacionadas ao ouvido.
A Dra. Isabela destacou a importância da videotoscopia, exame que permite visualizar todo o conduto auditivo e até realizar procedimentos minimamente invasivos.
Em um dos casos apresentados durante o episódio, foi possível identificar e remover um carcinoma escondido atrás de uma grande quantidade de secreção.
Quais exames ajudam no diagnóstico?
A dermatologia veterinária conta hoje com diversos exames importantes para identificar corretamente a causa do problema.
Entre eles estão:
- Raspado de pele;
- Citologia;
- Cultura bacteriana;
- Cultura fúngica;
- Otoscopia;
- Videotoscopia;
- Tomografia em casos específicos.
Cada exame auxilia na definição do tratamento mais adequado, reduzindo tentativas e erros.
Esporotricose: um desafio crescente na medicina veterinária
O episódio também abordou a esporotricose felina.
A doença, causada por um fungo, vem se tornando cada vez mais frequente em diversas regiões do Brasil.
Além de afetar os gatos, trata-se de uma zoonose, podendo ser transmitida para seres humanos através de arranhões ou mordidas.
A especialista reforça que gatos com acesso à rua apresentam maior risco de infecção e que o tratamento costuma ser longo, exigindo acompanhamento veterinário constante.
Tratamentos modernos oferecem mais qualidade de vida
Nos últimos anos, a dermatologia veterinária evoluiu significativamente.
Hoje existem diversas opções terapêuticas, como:
- Medicamentos específicos para controle da coceira;
- Anticorpos monoclonais;
- Shampoos terapêuticos;
- Repositores da barreira cutânea;
- Produtos hidratantes;
- Tratamentos tópicos individualizados;
- Controle ambiental;
- Dietas específicas.
O protocolo varia conforme cada paciente, reforçando a importância da avaliação individual.
O maior desafio é a continuidade do tratamento
Durante o episódio, a Dra. Isabela destacou que muitas doenças dermatológicas não possuem cura definitiva, mas podem ser controladas com sucesso.
O problema é que muitos responsáveis interrompem o tratamento quando observam melhora, favorecendo novas crises.
A manutenção faz parte do tratamento e é essencial para preservar a qualidade de vida do animal.
Assista ao episódio completo
Se você deseja entender melhor como identificar alergias, cuidar corretamente da pele do seu pet, prevenir otites e conhecer os tratamentos mais modernos da dermatologia veterinária, assista ao episódio completo do POD Le Pet Santé.
Você terá acesso a informações práticas, explicações detalhadas e orientações importantes para oferecer mais saúde, conforto e bem-estar ao seu cão ou gato.


