Publicado em 28 de setembro de 2026
Viajar com pet exige planejamento que começa muito antes do embarque. Para viajar com pet com segurança, é importante avaliar a saúde do animal, manter vacinas e documentos em dia, preparar o transporte e conferir as regras do destino e da companhia aérea. Em viagens internacionais, podem existir exigências adicionais, como microchipagem, vacinação antirrábica, sorologia e certificados veterinários.
Cães, gatos e outros animais estão cada vez mais presentes nas férias, nos fins de semana fora, nas mudanças de cidade e até nas viagens para outros países. Para muitas famílias, deixar o pet em casa já não é uma opção. Mas colocar o animal no carro ou comprar uma passagem aérea não basta.
No episódio 35 do Pod? Le Pet, conversamos com o médico-veterinário Dr. Marlon Lemos sobre transporte nacional e internacional de pets: planejamento, documentação, vacinação, microchip, viagem de avião, adaptação à caixa de transporte e avaliação da saúde do animal. Reunimos abaixo os principais pontos da conversa para quem vai viajar com pet.
Por que preparar o animal antes de viajar com pet?
Mesmo quando o destino é perto, a mudança de ambiente é uma situação completamente nova para o animal. Sair de casa, ficar horas dentro do carro, encontrar pessoas desconhecidas, sentir novos cheiros e chegar a um lugar diferente pode gerar estresse.
Por isso, o planejamento para viajar com pet não fica restrito aos papéis. É preciso considerar também a saúde, o comportamento e as características individuais de cada animal. Antes de viajar com pet, vale conhecer bem o animal e entender como ele reage a mudanças de rotina e aos meios de transporte.

Como viajar com pet de carro
Para animais que não estão acostumados a andar de carro, a melhor estratégia é começar com trajetos curtos. Um passeio rápido pelo bairro ou o caminho até a clínica veterinária já ajuda o tutor a observar como o pet se comporta. Alguns animais podem apresentar:
- ansiedade e agitação
- náuseas e vômitos
- medo
- desconforto durante o deslocamento
A adaptação gradual permite identificar esses sinais antes de viajar com pet por várias horas de estrada. No episódio, o Dr. Marlon também reforça a importância de usar equipamentos de segurança adequados, como caixa de transporte fixada ou cinto próprio para pets.
Se o animal enjoar ou apresentar outro problema no carro, converse antes com o médico-veterinário. Medicamentos nunca devem ser dados por conta própria.
Em viagens longas, programe as paradas
Quando o trajeto é longo, as paradas fazem parte do cuidado. O pet precisa beber água, descansar e fazer suas necessidades fisiológicas. A alimentação também merece atenção, principalmente em animais que costumam ter náuseas durante o transporte.
Pesquise com antecedência os pontos de parada e, se houver pernoite, confirme se a hospedagem realmente aceita animais e quais são as regras.
Consulta veterinária antes de viajar com pet
Um dos pontos mais importantes do episódio é que cada animal precisa ser avaliado individualmente. Para viajar com pet, não basta reunir documentos: é necessário conhecer o histórico clínico daquele paciente e verificar se existe alguma condição que aumente os riscos durante o deslocamento. Dependendo do caso, o médico-veterinário pode indicar um check-up e exames complementares antes da viagem.
Pets idosos precisam de atenção especial
Uma viagem que já é cansativa para um animal jovem pode ser um desafio ainda maior para um idoso. Conhecer a condição cardiovascular e o estado geral de saúde é essencial antes de um percurso longo ou de um voo. Animais cardiopatas, por exemplo, podem precisar de avaliação mais aprofundada com um especialista.
E os cães braquicefálicos?
Raças braquicefálicas, como Pug, Shih Tzu e Bulldog Francês, têm características anatômicas que dificultam a respiração. Estresse, calor e certas condições de transporte representam um risco adicional para esses animais. Para viajar com pet dessas raças, a avaliação individual e o planejamento antecipado são ainda mais importantes.
Viajar com pet de avião: cabine ou porão?
A resposta depende principalmente das regras da companhia aérea. Cada empresa define suas próprias condições para tamanho, peso, modelo de caixa ou bolsa de transporte e possibilidade de embarque na cabine.
No episódio, o Dr. Marlon cita que algumas companhias permitem animais menores na cabine quando o peso do pet somado ao da bolsa fica dentro do limite estabelecido. Animais que não atendem a esses requisitos podem precisar viajar em outra modalidade definida pela companhia. Quem pretende viajar com pet de avião deve consultar as regras atualizadas diretamente com a empresa antes de comprar a passagem.
Como adaptar o pet à caixa de transporte
Um erro comum é comprar a caixa pouco antes da viagem e colocar o animal dentro dela pela primeira vez no dia do embarque. A adaptação precisa ser gradual, para que a caixa deixe de ser algo estranho e passe a ser um ambiente familiar e seguro.
- Deixe a caixa aberta e disponível em casa por algumas semanas.
- Coloque dentro dela a manta ou um brinquedo do animal.
- Crie associações positivas com petiscos e elogios.
- Com o tempo, o pet tende a entrar sozinho e até descansar ali.
O tamanho também importa: o animal deve conseguir ficar em pé, virar e se movimentar com conforto. Confira as especificações exigidas pela companhia aérea antes da compra.
Posso sedar meu pet para viajar?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes de quem vai viajar com pet. O Dr. Marlon alerta que sedar ou tranquilizar o animal apenas para facilitar a viagem não é uma conduta indicada. Medicamentos com efeito sedativo podem causar reações adversas, e o médico-veterinário não estará acompanhando o animal durante o percurso.
A abordagem recomendada prioriza preparação antecipada, adaptação e estratégias individualizadas para diminuir o estresse. Qualquer medicamento ou intervenção para ansiedade deve ser avaliado exclusivamente pelo médico-veterinário responsável.
Documentos para viajar com pet
Além da saúde e do comportamento, a documentação é peça fundamental. As exigências variam conforme o destino, a espécie, o meio de transporte, a companhia aérea e a legislação vigente. Em viagens nacionais e internacionais, confira com antecedência quais documentos e certificados são necessários.
A carteira de vacinação atualizada é uma fonte importante sobre o histórico sanitário do animal e costuma ser solicitada em quase todos os cenários.
Viagem internacional com pet: comece cedo
Quando o destino é outro país, o processo fica bem mais complexo, porque cada país tem suas próprias exigências sanitárias. Entre as etapas discutidas no episódio estão:
- Microchipagem.
- Vacinação antirrábica.
- Sorologia, quando exigida pelo destino.
- Cumprimento dos prazos entre cada etapa.
- Emissão dos certificados veterinários necessários.
A ordem dos procedimentos faz diferença. O Dr. Marlon explica que, em determinados processos internacionais, o microchip precisa ser aplicado antes da vacina antirrábica usada para fins de certificação. As regras, porém, variam conforme o país de destino e podem mudar, por isso consulte sempre as exigências oficiais vigentes, como as orientações do Ministério da Agricultura sobre trânsito de animais de estimação.
Cuidado com os prazos
Esse é um dos maiores motivos para começar cedo quando o plano é viajar com pet para fora do país. Dependendo do país, algumas etapas precisam respeitar intervalos específicos entre vacinação, exames e emissão de certificados. No episódio, o Dr. Marlon conta o caso de uma tutora que precisou adiar a viagem porque uma etapa da vacinação não foi feita dentro do prazo. Ao viajar com pet para o exterior, uma pequena falha no calendário pode significar meses de atraso.
Microchip para pets: para que serve?
O microchip é uma forma de identificação individual. Ele carrega uma numeração que liga aquele animal à sua documentação. Um ponto importante destacado na conversa: microchip não é GPS. Ele não mostra em tempo real onde o animal está. Mas, quando um animal microchipado é encontrado e o chip é lido, o número pode ajudar na identificação e, dependendo do cadastro, dar acesso aos dados do tutor.
Outros animais e hotéis pet friendly
A viagem de aves e outras espécies não convencionais pode seguir regras diferentes, com modalidades específicas de transporte e exigências sanitárias próprias. Nesses casos, consulte a companhia responsável e os órgãos oficiais de trânsito de animais.
Já um hotel identificado como pet friendly não significa entrada livre. Alguns estabelecimentos pedem comprovante de vacinação ou têm regras de porte, circulação e permanência nos ambientes. Confirme as condições antes de reservar.
Checklist para viajar com pet
- Faça uma avaliação veterinária antes da viagem.
- Mantenha vacinas e documentos organizados.
- Pesquise as exigências do destino.
- Consulte as regras da companhia aérea, quando for o caso.
- Escolha a caixa ou o equipamento de transporte correto.
- Acostume o pet aos poucos ao carro ou à caixa.
- Planeje paradas, água e necessidades fisiológicas na estrada.
- Confirme as regras de hotéis e estabelecimentos pet friendly.
- Em viagens internacionais, comece os procedimentos com bastante antecedência.
- Nunca medique ou sede o animal por conta própria.
Perguntas frequentes sobre viajar com pet
O que é preciso para viajar com pet?
É necessário verificar a saúde do animal, a vacinação, a documentação, a forma de transporte e as regras específicas do destino. Em viagens aéreas ou internacionais, podem existir exigências adicionais.
Cachorro precisa de microchip para viajar?
Depende do destino. Em viagens internacionais, a microchipagem costuma fazer parte dos requisitos de identificação. Verifique as regras oficiais do país antes da viagem.
Pode sedar cachorro ou gato para viajar de avião?
Não por conta própria. Qualquer intervenção deve ser avaliada individualmente pelo médico-veterinário, considerando a saúde e as características do animal.
Com quanto tempo de antecedência devo preparar uma viagem internacional?
O ideal é começar com bastante antecedência, porque alguns destinos exigem microchipagem, vacinação, exames laboratoriais e prazos mínimos antes da emissão dos documentos.
Assista ao episódio completo
A principal mensagem do episódio é simples: a viagem do pet começa muito antes do dia do embarque. Cada animal tem idade, comportamento, histórico clínico e necessidades diferentes, e um planejamento individualizado, com acompanhamento veterinário, deixa o deslocamento mais tranquilo para o pet e para toda a família.
Assista à conversa completa com o Dr. Marlon Lemos no canal da Le Pet Santé no YouTube e confira os outros episódios na nossa categoria Podcast. No episódio anterior, falamos sobre neurologia veterinária em cães e gatos.


