Hiperadrenocorticismo em cães: sintomas, trilostano e tratamento

hiperadrenocorticismo em cães: cão idoso bebendo água em excesso

Publicado em 14 de setembro de 2026

Aumento de sede, xixi fora de hora, fome que não passa, barriga mais saliente, queda de pelos e exames com colesterol, triglicérides e enzimas hepáticas alterados. Quando esses sinais aparecem juntos, existe uma suspeita que o médico-veterinário precisa descartar: o hiperadrenocorticismo em cães, também chamado de hipercortisolismo ou síndrome de Cushing.

Este guia reúne o que foi discutido em três conversas do Pod? Le Pet! sobre endocrinologia veterinária, com a Dra. Audrey, a Dra. Rafaela Nuevo e a Dra. Mariana Maahs. A pauta é justamente a que mais gera dúvida no consultório: o que é hiperadrenocorticismo em cães, como o cortisol alto afeta o corpo inteiro, como funciona o trilostano, se o mitotano ainda tem lugar no tratamento e por que tantos cães endocrinopatas também recebem medicamentos para colesterol, triglicérides, fígado e vesícula.

Pod? Le Pet! episódio 20, com a Dra. Rafaela Nuevo, sobre cushing canino, diabetes e outras doenças endócrinas.

Resumo rápido

O hiperadrenocorticismo em cães, também chamado de síndrome de Cushing ou hipercortisolismo, é uma doença caracterizada pelo excesso da atividade do cortisol. Os sinais mais comuns são aumento da sede e da urina, fome excessiva, abdômen mais volumoso, queda de pelos, alterações de pele, ofegância e alterações metabólicas. O tratamento pode envolver trilostano ou, em situações selecionadas, mitotano, sempre com acompanhamento veterinário e ajuste individual de dose.

Neste artigo você vai encontrar

O que é hiperadrenocorticismo em cães?

O hiperadrenocorticismo em cães é uma doença endócrina caracterizada pelo excesso da atividade do cortisol no organismo. O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas adrenais e participa de funções variadas, do metabolismo à resposta inflamatória. Quando ele permanece cronicamente elevado, as consequências não ficam restritas a um único órgão.

Hiperadrenocorticismo, hipercortisolismo e síndrome de Cushing são a mesma coisa?

Sim. São três nomes para o mesmo quadro. Na rotina clínica, “síndrome de Cushing” é o termo mais popular entre tutores, “hipercortisolismo” descreve o mecanismo (cortisol em excesso) e “hiperadrenocorticismo canino” é a forma técnica mais usada em prontuários e artigos. Se o seu veterinário usar qualquer um deles, está falando da mesma doença.

Por que o Cushing é considerado uma síndrome

Porque um mesmo paciente pode apresentar alterações de pele, metabolismo, pressão arterial, glicemia, fígado, vesícula, colesterol e triglicérides ao mesmo tempo. Síndrome é exatamente isso: um conjunto de manifestações que aparecem juntas. É por esse motivo que o hiperadrenocorticismo em cães raramente se resolve olhando para um exame isolado.

O que são as glândulas adrenais e o que elas produzem?

As adrenais são duas glândulas pequenas, localizadas próximas aos rins, responsáveis pela produção de hormônios importantes para o funcionamento do organismo, entre eles o cortisol. O problema começa quando existe desequilíbrio nessa produção.

Tanto o excesso quanto a falta causam doença

Produzir hormônio demais causa doença, e produzir de menos também. Por isso a endocrinologia veterinária trabalha com equilíbrio, não com a ideia simples de “hormônio bom” e “hormônio ruim”.

Avaliar a adrenal não é só medir tamanho

Ver a adrenal “grande” ou “pequena” no ultrassom não fecha diagnóstico sozinho. É necessário relacionar sinais clínicos, exames laboratoriais, exames de imagem e testes hormonais. O ultrassom entra como uma peça da investigação do hiperadrenocorticismo em cães, nunca como a resposta final.

Quais são os sintomas do hiperadrenocorticismo em cães?

Os sintomas do hiperadrenocorticismo em cães costumam começar de forma discreta e se instalar aos poucos, o que faz muitos tutores confundirem o quadro com “coisa da idade”.

Aumento da sede e da urina

Um dos sinais mais característicos é o aumento da ingestão de água. O tutor percebe que precisa encher o pote com mais frequência ou que o cachorro passa muito mais tempo bebendo. Como consequência, a produção de urina aumenta: o animal pode começar a urinar durante a noite, usar mais tapetes higiênicos ou não conseguir segurar até chegar ao local habitual.

Apetite, peso e abdômen

O aumento do apetite chama atenção porque o cão passa a “pedir comida o tempo todo”. Junto disso pode aparecer alteração de peso e um abdômen visivelmente mais volumoso, um dos sinais que mais levam o tutor a procurar o veterinário.

Os 12 sinais de alerta

  • aumento da sede;
  • aumento da quantidade de urina;
  • alterações de peso;
  • aumento do apetite;
  • abdômen mais volumoso;
  • queda de pelos;
  • áreas de alopecia;
  • caspas e crostas;
  • alterações recorrentes de pele;
  • ofegância;
  • alterações de colesterol, triglicérides e glicemia;
  • pressão arterial elevada.

Nenhum desses sinais, isolado, confirma o hiperadrenocorticismo em cães. O que acende o alerta é a combinação deles, principalmente quando vem acompanhada de exames laboratoriais alterados.

Queda de pelo pode ser causada por uma doença hormonal?

Sim. Uma das mensagens mais importantes da endocrinologia veterinária é que a pele pode ser apenas a manifestação visível de um problema que está acontecendo em outra parte do organismo.

Quando investigar uma causa de base

Queda recorrente de pelos, alopecia, dermatites, infecções de pele e otites que voltam repetidamente merecem investigação. Isso não significa que todo problema dermatológico seja hormonal. Porém, quando o tratamento é feito, o problema melhora e depois retorna várias vezes, pode ser necessário procurar a causa de base, e o hiperadrenocorticismo em cães entra nessa lista.

Por que a recuperação dos pelos é lenta

As alterações dermatológicas podem levar meses para apresentar melhora visível. O crescimento do pelo depende também do controle hormonal, então a resposta da pele costuma vir depois da resposta clínica. Paciência aqui faz parte do tratamento.

Quais são as causas do hiperadrenocorticismo em cães?

O hiperadrenocorticismo em cães não tem necessariamente uma única origem. A alteração pode estar relacionada à hipófise, às próprias glândulas adrenais ou ao uso de corticoides, e identificar qual é o caso muda o plano de tratamento.

Origem hipofisária

Quando existe uma alteração na hipófise, ela pode estimular excessivamente as adrenais, que passam a produzir cortisol acima do necessário.

Origem adrenal

Em outros pacientes, o problema está em um nódulo em uma das adrenais, que passa a produzir hormônio de forma autônoma e excessiva.

Hiperadrenocorticismo iatrogênico

Existe ainda o chamado hiperadrenocorticismo iatrogênico, relacionado à administração de corticoides. É por isso que medicamentos dessa classe precisam ser usados de acordo com orientação veterinária, pelo tempo certo e na dose certa.

Corticoide pode causar síndrome de Cushing no cachorro?

Sim. Corticoides são medicamentos extremamente importantes na medicina veterinária e têm diversas indicações legítimas. O problema não é simplesmente “usar corticoide”, e sim o uso inadequado, indiscriminado ou prolongado sem acompanhamento.

Não é só o comprimido

O corticoide pode chegar ao organismo por diferentes apresentações, incluindo comprimidos e formulações de uso dermatológico, otológico ou oftálmico. Todas contam na hora de avaliar a exposição do paciente.

Por que não se interrompe corticoide de uma hora para outra

A administração prolongada pode interferir no funcionamento do eixo hormonal e das próprias glândulas adrenais. Por isso, depois de determinados tratamentos longos, o corticoide não deve ser suspenso abruptamente sem orientação profissional.

O que é hipoadrenocorticismo e qual a diferença?

Enquanto o hiperadrenocorticismo em cães está relacionado ao excesso da atividade hormonal adrenal, o hipoadrenocorticismo se refere à situação oposta, com deficiência na função adrenal. A diferença mostra como o equilíbrio hormonal é delicado.

Nos materiais que deram origem a este artigo, o hipoadrenocorticismo não foi aprofundado o suficiente para detalharmos sintomas, diagnóstico e protocolos específicos. Diante de qualquer suspeita de alteração adrenal, a investigação precisa ser individualizada pelo médico-veterinário.

Como é feito o diagnóstico do hiperadrenocorticismo em cães?

Não existe diagnóstico baseado apenas na aparência do animal ou em um único resultado isolado. O processo do diagnóstico do hiperadrenocorticismo em cães é construído em etapas.

História clínica e sinais relatados pelo tutor

Tudo começa pela conversa. Há quanto tempo o cão bebe mais água, quando a queda de pelo começou, se houve uso de corticoide, como está o apetite e o peso. Essas informações direcionam os próximos passos.

Exames de sangue, urina e imagem

Podem ser avaliados, entre outros parâmetros, função hepática, função renal, colesterol, triglicérides, glicemia, urinálise e as características das glândulas adrenais no ultrassom. Somente depois de analisar o conjunto o médico-veterinário decide qual teste hormonal é mais apropriado.

etapas do diagnóstico e tratamento do hiperadrenocorticismo em cães
Do sinal percebido em casa até a reavaliação: o caminho do hiperadrenocorticismo em cães.

Por que colesterol e triglicérides precisam ser controlados antes dos testes hormonais?

Os testes hormonais são sensíveis a interferências. Uma hiperlipidemia importante, ou seja, aumento de colesterol e de triglicérides, pode atrapalhar a avaliação laboratorial. Em determinados pacientes, é preciso primeiro organizar as alterações metabólicas e só depois escolher o melhor momento para realizar o teste.

Esse é um dos motivos pelos quais a endocrinologia não pode ser encarada como uma simples sequência de exames. É preciso avaliar o paciente como um todo, e não apenas pedir o teste mais caro da lista.

Quais exames confirmam o hiperadrenocorticismo em cães?

Teste de supressão com dexametasona

De maneira simplificada, é feita uma coleta para determinar o cortisol basal. Depois, administra-se dexametasona e são realizadas novas avaliações. Em um paciente saudável, espera-se que o eixo hormonal responda reduzindo a produção de cortisol. Quando existe produção inadequadamente elevada, essa supressão pode não acontecer como esperado.

Teste de estimulação com ACTH e outras avaliações

Existem também outros exames, incluindo o teste de estimulação com ACTH e avaliações hormonais complementares. A escolha depende do caso clínico, do estado do paciente e do que os exames iniciais mostraram. Não existe um teste único que sirva para confirmar o hiperadrenocorticismo em cães em qualquer situação.

Hiperadrenocorticismo em cães tem cura?

Depende da causa. Em muitos pacientes, o objetivo é controlar a doença e suas consequências por meio de tratamento e acompanhamento contínuos, com boa qualidade de vida.

Quando a cirurgia entra na conversa

Quando existe um nódulo adrenal com indicação cirúrgica, a remoção da adrenal afetada pode ser considerada. Mesmo nesses casos o paciente continua sendo acompanhado, inclusive para avaliar o funcionamento hormonal após o procedimento e o comportamento da adrenal contralateral.

O que é trilostano e como ele age?

O trilostano é o medicamento mais usado hoje no manejo do hiperadrenocorticismo em cães. O objetivo terapêutico é reduzir a produção hormonal excessiva e ajudar no controle das manifestações da doença.

A característica mais importante do tratamento é que a dose precisa ser individualizada. Não existe uma dose universal que funcione igualmente para todos os pacientes, e comparar a receita do seu cão com a do cão do vizinho não ajuda em nada.

Por que a dose de trilostano precisa ser ajustada?

Porque a resposta de cada animal é diferente. O acompanhamento considera tanto a melhora dos sintomas quanto os resultados das avaliações hormonais, com testes que verificam se o tratamento está controlando adequadamente a produção de cortisol.

Portanto, iniciar trilostano não significa receber uma receita e usar indefinidamente a mesma dose. No hiperadrenocorticismo em cães, a lógica é outra: tratar, avaliar, testar e ajustar quando necessário.

Trilostano precisa de acompanhamento veterinário?

Sim, e o acompanhamento é parte fundamental do tratamento. A rotina descrita nas conversas inclui reavaliações depois do início da medicação e, posteriormente, novos exames hormonais para verificar a resposta do paciente.

O papel do tutor

Administrar corretamente os medicamentos, respeitar horários e doses e comparecer às reavaliações são fatores diretamente ligados ao sucesso do controle da doença. No hiperadrenocorticismo em cães, o tutor é parte do tratamento, não apenas quem paga a conta.

Vômito, diarreia ou falta de apetite durante o tratamento: o que fazer?

Esses sinais não devem ser ignorados. Vômito, diarreia e inapetência são situações que exigem atenção durante o tratamento e podem levar à suspensão da medicação, conforme a orientação estabelecida pelo profissional responsável.

Qualquer alteração importante após o início ou o ajuste da terapia precisa ser comunicada ao médico-veterinário. Não espere a próxima consulta agendada para avisar.

O que é mitotano e quando ele ainda é usado?

O mitotano é outra opção terapêutica, historicamente muito utilizada no tratamento do hiperadrenocorticismo em cães. Nas conversas, ele aparece como um medicamento que já foi amplamente empregado, enquanto o trilostano se firmou como a alternativa mais atual.

O mitotano é descrito como uma opção de manejo mais agressiva, mas isso não significa que seu uso esteja errado ou proibido. Existem situações em que o profissional pode optar por ele de acordo com as características do paciente e sua experiência clínica.

Trilostano ou mitotano: qual é melhor?

Essa pergunta não tem uma resposta única para todos os cães. A escolha considera o tipo de hiperadrenocorticismo em cães diagnosticado, o estado geral do paciente, a resposta ao tratamento, doenças concomitantes e a estratégia adotada pelo endocrinologista.

O trilostano aparece como a opção mais atual e frequentemente utilizada, enquanto o mitotano permanece como possibilidade em casos selecionados. O mais importante é evitar comparações baseadas apenas no medicamento que outro animal usa. Endocrinologia não é receita de bolo.

O que é hiperlipidemia em cães?

Hiperlipidemia é o aumento de lipídios circulantes no sangue, principalmente triglicérides e colesterol. Em pacientes endocrinopatas, essas alterações podem fazer parte de um quadro metabólico mais amplo.

Colesterol e triglicérides altos significam gordura demais na comida?

Não necessariamente. A alimentação precisa ser avaliada, incluindo quantidade de ração, petiscos e alimentos oferecidos fora da dieta. Porém, colesterol e triglicérides elevados também podem ser secundários a alterações metabólicas e hormonais.

Reduzir a gordura da alimentação sem descobrir a causa pode não resolver o problema. A investigação precisa determinar se a hiperlipidemia é primária, alimentar ou secundária a outra doença, como o hiperadrenocorticismo em cães.

Para que serve o bezafibrato em cães?

O bezafibrato aparece nas conversas como medicamento utilizado em alguns pacientes para auxiliar no controle de alterações de colesterol e triglicérides, sempre sob prescrição.

O tempo de tratamento depende da resposta individual. Quando dieta, controle de peso, tratamento da endocrinopatia e demais medidas conseguem normalizar o metabolismo lipídico, alguns pacientes podem deixar de precisar desse suporte. Outros seguem em tratamento por mais tempo.

Por que cães com doença endócrina têm alterações no fígado?

Porque o metabolismo funciona de maneira integrada. Doenças hormonais podem vir acompanhadas de alterações envolvendo fígado, vesícula biliar, pâncreas, peso corporal, triglicérides e colesterol.

Lama biliar e mucocele biliar

Pacientes endocrinopatas são descritos com frequência apresentando enzimas hepáticas elevadas, hepatopatias, hiperlipidemia, lama biliar e outras alterações metabólicas. Por isso, muitas vezes não basta controlar apenas o cortisol: é necessário cuidar das consequências que a doença já produziu.

Silimarina, SAMe e N-acetilcisteína: onde entram?

A silimarina, o SAMe (S-adenosilmetionina) e a N-acetilcisteína aparecem com frequência no contexto veterinário relacionado ao suporte hepático.

Nas três transcrições usadas como base para este artigo, esses ativos não foram discutidos individualmente com profundidade suficiente para atribuirmos indicações específicas, mecanismos ou protocolos a cada um deles. O ponto sustentado pelas conversas é mais amplo: pacientes endocrinopatas podem apresentar alterações hepáticas e metabólicas e, por isso, o médico-veterinário pode precisar associar medidas direcionadas ao fígado e à vesícula ao tratamento da doença hormonal.

Eles não são intercambiáveis

Embora possam aparecer em estratégias voltadas ao sistema hepatobiliar, a escolha depende da alteração apresentada pelo paciente. Um cão com alterações hepáticas não terá necessariamente a mesma necessidade terapêutica de um cão com alteração importante de vesícula biliar. A prescrição precisa ser baseada nos exames e na avaliação clínica.

Para que serve o ácido ursodesoxicólico em cães?

O ácido ursodesoxicólico aparece nos conteúdos associado principalmente às alterações da vesícula biliar. As conversas citam situações envolvendo lama biliar e mucocele biliar dentro do conjunto de alterações metabólicas observadas em pacientes endocrinopatas.

Isso mostra de novo por que o tratamento endocrinológico pode envolver várias frentes ao mesmo tempo. Não se trata apenas de baixar o cortisol, mas de avaliar quais consequências o hiperadrenocorticismo em cães já produziu no organismo.

Cachorro com Cushing pode ter diabetes?

Pode existir associação entre hiperadrenocorticismo em cães, alterações metabólicas e diabetes. Cães com síndrome de Cushing são citados entre aqueles que podem apresentar predisposição ao desenvolvimento de diabetes, especialmente quando coexistem hiperlipidemia e excesso de peso.

Isso reforça a importância de acompanhar não somente o cortisol, mas o metabolismo do paciente como um todo. Falamos sobre esse conjunto de doenças endócrinas em problemas hormonais em cães e gatos, e sobre as consequências oculares do diabetes no post de úlcera de córnea em cães.

Por que o tratamento precisa ser tão individualizado?

Porque dois cães com o mesmo diagnóstico podem apresentar quadros completamente diferentes. Um chega ao consultório principalmente por alterações dermatológicas. Outro, por excesso de sede e urina. Um terceiro, por colesterol e triglicérides elevados, alterações hepáticas, lama biliar ou diabetes.

Da mesma forma, a resposta aos medicamentos e a necessidade de ajustes variam de paciente para paciente. Na endocrinologia veterinária, diagnóstico, tratamento e monitoramento caminham juntos.

O tratamento do hiperadrenocorticismo em cães é para a vida toda?

Em muitos pacientes o acompanhamento é crônico. O tratamento pode envolver não apenas o controle hormonal, mas também alimentação, peso corporal, triglicérides, colesterol, fígado, vesícula e outras doenças concomitantes.

Alguns medicamentos associados podem ser retirados quando determinada alteração é controlada. Outros precisam ser mantidos. Quando existe possibilidade de tratamento cirúrgico de uma alteração adrenal específica, a estratégia pode ser diferente.

Quando procurar um endocrinologista veterinário?

Alguns sinais justificam investigação: aumento importante da sede e da urina, alterações inexplicadas de peso, fome excessiva, apatia, ofegância, queda de pelos, problemas dermatológicos recorrentes e alterações persistentes de colesterol, triglicérides, glicemia ou enzimas hepáticas.

O primeiro passo pode ser uma consulta com o clínico geral. A partir da história, do exame físico e dos exames iniciais, o profissional avalia a necessidade de encaminhamento para a endocrinologia. Quanto antes o hiperadrenocorticismo em cães entra na lista de suspeitas, mais cedo começa o controle das consequências metabólicas.

Medicamentos manipulados no hiperadrenocorticismo em cães

Como a dose precisa ser individualizada e o paciente costuma usar mais de um medicamento ao mesmo tempo, a manipulação veterinária ajuda em dois pontos práticos: a concentração exata prescrita pelo veterinário e a forma farmacêutica que o cão aceita melhor (cápsula, biscoito ou solução oral).

Todos são manipulados conforme receituário médico-veterinário. Se o seu veterinário prescreveu uma concentração diferente das apresentações padrão, fale com a Le Pet Santé e nós manipulamos conforme a receita.

Os episódios que deram origem a este artigo

Este conteúdo foi construído a partir de três conversas do Pod? Le Pet! sobre endocrinologia veterinária. Assista na íntegra:

Episódio 03, com a Dra. Audrey

Saúde hormonal dos pets: hipotireoidismo, hipertireoidismo, Cushing e diabetes.

Episódio 32, com a Dra. Mariana Maahs

Endocrinologia veterinária: os sinais de alerta que o tutor percebe em casa.

Todos os episódios ficam disponíveis na categoria Podcast do blog e na página de podcasts. Para acompanhar as lives ao vivo, inscreva-se no canal da Le Pet Santé no YouTube.

Perguntas frequentes sobre hiperadrenocorticismo em cães

Hiperadrenocorticismo e síndrome de Cushing são a mesma coisa?

Sim. Em cães, síndrome de Cushing, hiperadrenocorticismo e hipercortisolismo são termos usados para descrever o quadro relacionado ao excesso da atividade do cortisol.

Quais são os principais sintomas de Cushing em cães?

Aumento da sede e da urina, aumento do apetite, abdômen mais saliente, queda de pelos, alterações de pele, ofegância e alterações metabólicas como colesterol e triglicérides elevados.

Trilostano cura a síndrome de Cushing?

O trilostano é usado para controlar a produção hormonal excessiva. Em muitos pacientes o tratamento é contínuo e exige reavaliações periódicas com exames hormonais.

Trilostano é perigoso para cães?

É um medicamento que exige acompanhamento veterinário e ajuste individual de dose. Vômito, diarreia, inapetência ou qualquer alteração importante durante o tratamento devem ser comunicados ao médico-veterinário.

Mitotano ainda é usado em cães?

Sim. Embora o trilostano seja o mais utilizado atualmente, o mitotano ainda pode ser escolhido em situações específicas, conforme a avaliação do endocrinologista.

Cushing pode aumentar colesterol e triglicérides?

Sim. Alterações metabólicas, incluindo aumento de colesterol e triglicérides, podem acompanhar o hiperadrenocorticismo em cães e outras doenças endócrinas.

Para que serve o ácido ursodesoxicólico em cães?

É utilizado em determinados quadros hepatobiliares e pode fazer parte do tratamento de alterações da vesícula biliar, sempre sob prescrição veterinária.

Conclusão

Hiperadrenocorticismo não é apenas “cortisol alto”. É uma doença capaz de produzir consequências em diferentes sistemas do organismo, e por isso controlar um único resultado laboratorial não é suficiente.

O tratamento do hiperadrenocorticismo em cães pode envolver trilostano ou, em situações selecionadas, mitotano, além do controle de alterações metabólicas como colesterol e triglicérides elevados e do acompanhamento do fígado e da vesícula biliar. Dependendo do paciente, bezafibrato e ácido ursodesoxicólico entram na estratégia, e recursos de suporte hepático como silimarina, SAMe e N-acetilcisteína podem ser usados quando houver indicação específica.

A mensagem central é simples: o tratamento endocrinológico precisa olhar o animal como um todo. Sintomas, exames laboratoriais, ultrassonografia, testes hormonais, alimentação, peso, doenças concomitantes e resposta aos medicamentos são avaliados em conjunto. E principalmente: trilostano, mitotano e os demais medicamentos usados nesses pacientes não devem ser administrados nem ter suas doses modificadas sem acompanhamento veterinário.

Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e foi elaborado a partir de conversas do Pod? Le Pet! sobre endocrinologia veterinária. Não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição de um médico-veterinário.

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