Úlcera de córnea em cães: os sinais nos olhos do pet que você não deve ignorar

Úlcera de córnea em cães: episódio 29 do Pod? Le Pet! com a Dra. Bruna Tasca

Publicado em 24 de agosto de 2026

A úlcera de córnea em cães é uma das alterações oculares mais frequentes na rotina veterinária e também uma das que mais assustam quando o diagnóstico demora. Começa muitas vezes com um detalhe pequeno: o pet aperta um pouco o olho, aparece uma secreção diferente, ele esfrega o rosto no sofá. Em poucos dias, uma lesão superficial pode se aprofundar e virar um caso cirúrgico.

No episódio 29 do Pod? Le Pet!, a médica-veterinária Dra. Bruna Tasca, especialista em oftalmologia, falou sobre os principais problemas oculares de cães e gatos e deixou um recado direto aos tutores: quando o assunto é olho, a estratégia de “esperar para ver se melhora” pode custar a visão do animal.

Úlcera de córnea em cães: o que é, de fato

De maneira simplificada, a úlcera de córnea é uma ferida na superfície transparente do olho. A córnea é uma estrutura fina, sensível e essencial para a visão, e qualquer perda de tecido nela provoca dor e compromete a transparência.

O ponto que costuma passar despercebido é que nem toda úlcera de córnea em cães é igual. Existem lesões bem superficiais, que respondem rápido ao tratamento clínico, e existem lesões que atingem camadas profundas da córnea, com risco real de perfuração.

Quais são os tipos de lesão na córnea?

  • Superficiais: atingem apenas as camadas mais externas e costumam ter melhor resposta ao tratamento com colírios.
  • Profundas: avançam para camadas internas da córnea e exigem acompanhamento próximo, porque podem evoluir rapidamente.
  • Perfurantes: quando a lesão atravessa a córnea, configurando uma urgência oftalmológica.
  • Em melting: ocorre degradação intensa do tecido corneano, um dos cenários mais graves discutidos no episódio.

Quanto mais cedo a úlcera de córnea em cães é identificada, maiores são as chances de resolver o caso clinicamente e menor é a probabilidade de o animal precisar de cirurgia.

Úlcera de córnea em cães: seis sinais de alerta nos olhos do pet
Úlcera de córnea em cães: os seis sinais que pedem avaliação veterinária.

Sinais de úlcera de córnea em cães que o tutor consegue observar

O tutor não precisa fechar um diagnóstico, mas precisa reconhecer o momento de procurar ajuda. Fique atento a:

  • olho vermelho;
  • dificuldade para manter o olho aberto ou piscar excessivo;
  • lacrimejamento aumentado;
  • secreção ocular persistente;
  • coceira e o hábito de esfregar o rosto em paredes, móveis ou no sofá;
  • sensibilidade à luz;
  • mudança na cor ou na transparência do olho;
  • alteração no tamanho do globo ocular;
  • qualquer mudança repentina de comportamento ligada à visão.

Aquela “remelinha” constante também merece atenção. Ela não deve ser automaticamente considerada normal, porque pode estar ligada a olho seco, a processos inflamatórios ou justamente a uma lesão de córnea em formação.

Por que coçar o olho piora tudo

Cães não têm a mesma percepção que nós sobre a hora de parar de coçar uma região dolorida. Diante do desconforto ocular, o animal esfrega o rosto repetidamente com as patas, no sofá, na parede, no tapete.

É esse comportamento que transforma uma lesão pequena em um problema grande. Uma úlcera superficial pode se aprofundar em questão de horas e, em situações graves, chegar à perfuração da córnea. Por isso o trauma repetido é considerado um dos maiores agravantes da úlcera de córnea em cães.

O colar elizabetano faz parte do tratamento

O colar elizabetano rígido não é um acessório opcional nem um capricho do veterinário: ele é parte ativa do tratamento. Precisa ter o tamanho adequado para impedir que o cão alcance os olhos com as patas ou esfregue o rosto contra superfícies.

Vale observar o ambiente também, porque alguns animais são criativos e conseguem encontrar um jeito de esfregar o olho mesmo usando o colar.

Como é feito o tratamento da úlcera de córnea em cães

Tratar uma úlcera não é “pingar um colírio”. A conduta depende do tipo, da profundidade e da causa da lesão. Durante o episódio foram citados recursos como colírios antibióticos, lubrificantes, EDTA, medicamentos para controle da dor e, em determinadas situações, colírios manipulados em concentrações específicas para aquele paciente.

Boa parte desses colírios não existe pronta na prateleira, o que faz da manipulação veterinária uma aliada importante do oftalmologista. Conheça também as possibilidades de colírios manipulados para uso veterinário.

Nunca use um colírio antigo por conta própria

Um dos comportamentos mais perigosos citados na conversa é usar no pet aquele colírio que sobrou de um tratamento anterior. Doenças bem diferentes podem apresentar sinais parecidos e exigir condutas opostas.

Um olho vermelho pode ser úlcera, olho seco, glaucoma ou outro processo inflamatório. Alguns colírios, inclusive, são contraindicados na presença de uma lesão de córnea e podem agravar o quadro. Automedicar é apostar contra a visão do animal.

Quando a cirurgia entra em cena

Nem toda úlcera precisa de cirurgia. Lesões superficiais costumam responder bem ao tratamento clínico. Já as úlceras profundas, as perfurações e os quadros de melting podem exigir intervenção cirúrgica.

A boa notícia é que a oftalmologia veterinária avançou muito. Hoje existem técnicas de reconstrução da córnea, uso de membranas, recobrimentos conjuntivais e tecnologias como o cross-linking corneano, citado no episódio como possibilidade em casos graves de degradação do tecido.

Olho seco: a porta de entrada para úlceras recorrentes

A síndrome do olho seco acontece quando há alteração na quantidade ou na qualidade da lágrima que protege e lubrifica a superfície ocular. A lágrima tem componentes diferentes e todos importam para manter o olho saudável.

Quando essa proteção falha, aparecem ardência, vermelhidão, secreção, coceira, alterações e pigmentação da córnea e, em casos avançados, comprometimento da visão. O desconforto faz o animal esfregar os olhos e fecha um ciclo cruel: ressecamento, coceira, trauma, lesão.

É por isso que casos de úlcera de córnea em cães que voltam repetidamente precisam de investigação da causa, e não apenas do tratamento de cada nova lesão isoladamente.

Tacrolimus e ciclosporina no controle do olho seco

Medicamentos como tacrolimus e ciclosporina foram citados como opções para determinados pacientes com alteração na produção lacrimal. O tratamento, porém, precisa ser individualizado.

Nem todo olho seco tem a mesma origem: existem quadros imunomediados, alterações das glândulas lacrimais e até doenças sistêmicas por trás. Daí um conceito que a Dra. Bruna reforçou, o oftalmologista não avalia apenas o olho, avalia o paciente inteiro.

Raças braquicefálicas exigem atenção redobrada

Shih-tzu, Pug, Lhasa Apso e Bulldog têm olhos mais expostos e características anatômicas que aumentam a predisposição a traumas, ressecamento e lesões de córnea. Nesses cães, o risco de úlcera de córnea em cães braquicefálicos é maior justamente porque a proteção natural do olho é menor.

O problema é que muitos tutores aprendem a enxergar essas alterações como “normais da raça”. Elas não são.

Catarata, glaucoma e tumores palpebrais

A catarata é a perda de transparência do cristalino e compromete a visão de forma progressiva. A relação com o diabetes merece destaque: em cães diabéticos a evolução pode ser muito rápida, e um olho discretamente esbranquiçado muda bastante em pouco tempo. Pacientes diabéticos precisam de acompanhamento oftalmológico de rotina.

O glaucoma está ligado ao aumento da pressão intraocular e provoca dor intensa. Olho vermelho, dor, alteração no tamanho do globo ocular e mudanças de comportamento estão entre os sinais. O diagnóstico precoce é decisivo, porque o glaucoma pode causar danos importantes e definitivos à visão.

Já os tumores e “verruguinhas” nas pálpebras parecem apenas uma questão estética, mas dependendo da localização encostam na superfície do olho a cada piscada, como um corpo estranho permanente. Além do desconforto, precisam ser avaliados para determinar sua natureza, e em alguns casos o tratamento envolve remoção cirúrgica e análise do material.

Quando procurar um oftalmologista veterinário

A recomendação da Dra. Bruna é não esperar a alteração ocular ficar grave. Vermelhidão persistente, secreção, coceira, lacrimejamento excessivo, dificuldade para abrir o olho, sensibilidade à luz, mudança de cor ou de tamanho do olho: qualquer um desses sinais justifica atendimento.

Com o especialista, a avaliação inclui exames específicos como medição da produção lacrimal, aferição da pressão intraocular e exame detalhado das estruturas internas do olho. Em emergências nas quais não seja possível chegar ao especialista de imediato, o clínico geral tem papel fundamental na avaliação inicial e no encaminhamento.

Nos olhos, tempo significa visão

Uma coceira discreta pode ser o primeiro sinal de uma úlcera. Uma secreção persistente pode indicar olho seco. Um olho esbranquiçado pode ser catarata. Um olho vermelho e dolorido pode pedir investigação de glaucoma.

Quanto mais cedo vem o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a doença, evitar complicações e preservar o conforto e a visão do animal. No caso específico da úlcera de córnea em cães, essa diferença de dias pode separar um tratamento com colírio de uma cirurgia de reconstrução.

Perguntas frequentes

Úlcera de córnea em cães tem cura?

Muitas úlceras podem ser tratadas com sucesso, especialmente quando diagnosticadas cedo. O tratamento varia conforme a profundidade e a causa da lesão, e casos profundos podem exigir cirurgia.

Secreção no olho do cachorro é normal?

Se a secreção é frequente, excessiva ou vem acompanhada de vermelhidão, coceira ou desconforto, ela precisa ser investigada por um médico-veterinário.

Cachorro com olho vermelho é emergência?

Pode ser. Olho vermelho aparece em quadros bem diferentes, incluindo úlcera, inflamação e glaucoma. A avaliação precoce é sempre a conduta mais segura.

Olho seco pode causar úlcera de córnea em cães?

Sim. O ressecamento gera desconforto, estimula o animal a coçar os olhos e favorece lesões da superfície ocular. Por isso o olho seco está entre as causas de úlceras recorrentes.

Cachorro com catarata pode voltar a enxergar?

Em determinados pacientes a cirurgia pode ser indicada, sempre após avaliação oftalmológica e clínica, com as doenças sistêmicas devidamente controladas.

Posso usar colírio humano no meu cachorro?

Não sem prescrição. Vários princípios ativos são contraindicados diante de uma lesão de córnea e podem agravar o quadro em vez de tratá-lo.

Assista ao episódio completo

A conversa completa com a Dra. Bruna Tasca está disponível no episódio 29 do Pod? Le Pet!. Vale assistir para entender, com exemplos da rotina clínica, como identificar cedo uma úlcera de córnea em cães e quais recursos a oftalmologia veterinária oferece hoje.

Se você ainda não viu, o episódio 28, sobre oftalmologia veterinária com o Dr. Glauber Tasso, complementa bem este tema. E todos os episódios ficam reunidos na categoria Podcast do blog e no canal da Le Pet Santé no YouTube.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição realizados por médico-veterinário.

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