POD Le Pet Santé Episódio 26: Doenças cardíacas em cães e gatos com o Dr. Matheus Mancilha

Doenças cardíacas em cães e gatos: avaliação de cardiologia veterinária

Publicado em 6 de agosto de 2026

As doenças cardíacas em cães e gatos fazem parte da rotina da medicina veterinária e, em muitos casos, podem evoluir de maneira silenciosa durante anos. Por isso, reconhecer os primeiros sinais, realizar exames periódicos e iniciar o acompanhamento no momento adequado pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida e na longevidade dos animais.

Esse foi o tema da conversa do Pod? Le Pet!, que recebeu o médico-veterinário Dr. Mateus Mancilha para falar sobre cardiologia veterinária, abordando desde os primeiros sintomas até exames, medicamentos e acompanhamento dos pacientes.

Em resumo: as doenças cardíacas em cães e gatos costumam evoluir de forma silenciosa. Reconhecer os sinais das doenças cardíacas em cães e gatos e fazer exames periódicos muda o prognóstico. O tratamento das doenças cardíacas em cães e gatos é individualizado e acompanhado pelo médico-veterinário.

Sinais de doenças cardíacas em cães e gatos

Muitas cardiopatias são doenças crônicas e tornam-se mais frequentes conforme o animal envelhece. Existem também alterações congênitas, que podem se manifestar ainda nos primeiros meses de vida.

Entre os sinais que merecem atenção estão tosse persistente, cansaço fácil, redução da disposição para exercícios, aumento do volume abdominal, respiração ofegante e aumento da frequência respiratória. Em quadros mais avançados, língua e mucosas podem apresentar uma coloração azulada ou arroxeada, indicando comprometimento da oxigenação.

A tosse persistente merece atenção especial. Quando tem origem cardíaca e se torna intensa, pode estar relacionada a um estágio mais avançado da doença e à presença de edema pulmonar, popularmente conhecido como “água no pulmão”.

Entretanto, nem toda tosse em um cachorro é causada pelo coração. Problemas respiratórios também podem produzir sintomas semelhantes, razão pela qual o diagnóstico veterinário é fundamental.

Desmaios também podem estar relacionados ao coração

Outro sinal que chama bastante a atenção dos responsáveis é a síncope, ou seja, o desmaio.

Durante o episódio, foi explicado que alterações no funcionamento cardíaco podem comprometer temporariamente a chegada adequada de sangue e oxigênio ao cérebro. Arritmias com frequências cardíacas excessivamente baixas ou altas também podem estar envolvidas.

Por isso, um animal que apresenta episódios de desmaio precisa ser investigado. Em alguns pacientes, as arritmias podem ocorrer apenas em determinados momentos, dificultando sua identificação durante uma consulta convencional.

A doença da válvula mitral é importante nos cães

Uma das cardiopatias adquiridas abordadas durante a conversa foi a degeneração mixomatosa da válvula mitral, também chamada de doença ou degeneração mitral.

Ela é especialmente relevante em cães e aparece com maior frequência em animais de pequeno porte. O problema ocorre quando a válvula deixa de fechar adequadamente, permitindo o refluxo de parte do sangue. Com a progressão da doença, o coração tenta compensar essa alteração e pode sofrer remodelamento.

Um ponto importante é que a cardiopatia pode existir antes do aparecimento de sintomas perceptíveis pelo responsável.

Isso reforça a importância dos exames preventivos, principalmente em animais idosos e em raças predispostas.

Sopro no coração significa doença grave?

Não necessariamente.

O sopro cardíaco indica uma alteração no fluxo sanguíneo, mas sua intensidade, isoladamente, não determina a gravidade da cardiopatia. Um sopro intenso não significa obrigatoriamente doença mais grave, assim como um sopro menos audível não deve ser automaticamente considerado pouco importante.

A identificação de um sopro durante a auscultação é, portanto, um ponto de partida para que o médico-veterinário decida se são necessários exames complementares.

Dica: em gatos, o estresse da consulta altera a pressão arterial. Medições feitas em casa, com o animal calmo, podem refletir melhor a condição real — sempre com acompanhamento do veterinário.

E os gatos? As doenças cardíacas são diferentes?

Sim. Enquanto a doença mitral ocupa uma posição importante entre os cães, nos gatos merece destaque a cardiomiopatia hipertrófica.

Os felinos apresentam particularidades que podem tornar a identificação da doença mais desafiadora. Além disso, o comportamento durante a consulta e o estresse podem interferir em algumas avaliações.

A alimentação também foi discutida no podcast. O gato é um carnívoro estrito, e a deficiência de taurina foi destacada como uma condição capaz de provocar alterações cardíacas, reforçando a importância de uma alimentação nutricionalmente adequada.

Vale reforçar: as doenças cardíacas em cães e gatos pedem acompanhamento contínuo. O tratamento das doenças cardíacas em cães e gatos é individualizado, e o controle das doenças cardíacas em cães e gatos depende de exames e ajustes ao longo do tempo.

Aves e outros animais também podem apresentar cardiopatias

A cardiologia veterinária não está restrita a cães e gatos.

Aves, répteis e outros animais não convencionais também podem desenvolver problemas cardíacos. Nas aves, por exemplo, alterações respiratórias podem ser um dos sinais percebidos pelo responsável. Exames como ecocardiograma e eletrocardiograma também podem ser empregados nesses pacientes, embora existam particularidades importantes em relação aos parâmetros utilizados para cães e gatos.

A nutrição também ganha destaque nesses animais. Uma alimentação desequilibrada pode comprometer diferentes órgãos, inclusive o coração.

Quais exames ajudam a avaliar o coração do pet?

A auscultação durante a consulta é apenas o começo da avaliação cardiológica.

O raio-X de tórax pode ajudar a identificar alterações no tamanho da silhueta cardíaca e também fornece informações sobre os pulmões. Já o ecocardiograma permite avaliar a estrutura e o funcionamento do coração e ocupa papel importante no diagnóstico, estadiamento e acompanhamento das cardiopatias.

O eletrocardiograma, por sua vez, avalia a atividade elétrica e o ritmo cardíaco, sendo particularmente importante na investigação das arritmias.

Dependendo do caso, pode ser necessário monitorar o ritmo cardíaco durante períodos mais prolongados para detectar alterações que não aparecem durante os poucos minutos de uma consulta.

Atenção: nunca ajuste ou suspenda medicamentos cardíacos (como pimobendan ou diuréticos) por conta própria. As doses são individualizadas e mudam conforme a evolução do paciente.

A pressão arterial também precisa ser acompanhada

A aferição da pressão arterial é outro componente importante da avaliação.

O podcast destacou que o estresse do animal durante a consulta pode alterar os resultados, especialmente nos gatos. Por isso, podem ser necessárias várias medições para obter uma média mais representativa.

O ambiente também influencia: em determinadas situações, a aferição realizada em casa pode fornecer valores mais próximos da condição habitual do animal por reduzir o efeito do estresse.

Além disso, a hipertensão nem sempre tem origem exclusivamente cardíaca. Outras doenças, inclusive alterações renais, podem estar relacionadas ao aumento da pressão arterial.

Tratamento cardíaco: por que alguns animais tomam vários medicamentos?

O tratamento depende da doença, do estágio em que ela se encontra e das alterações apresentadas pelo paciente.

Durante a conversa, o pimobendan ganhou destaque. Em determinados pacientes com doença mitral em estágio B2, o medicamento pode fazer parte do tratamento mesmo antes do aparecimento de sinais clínicos. Sua ação está relacionada, entre outros efeitos abordados no episódio, à melhora da contratilidade cardíaca.

Nos quadros mais avançados, entretanto, podem ser necessários vários medicamentos para controlar diferentes consequências da doença, como congestão, edema pulmonar, hipertensão e alterações do ritmo cardíaco.

Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes cardiopatas recebem combinações de medicamentos, como pimobendan, diuréticos, anti-hipertensivos e, quando necessário, antiarrítmicos.

O tratamento deve ser individualizado e acompanhado pelo médico-veterinário. Em muitas cardiopatias, os medicamentos são utilizados continuamente e as doses podem precisar de ajustes ao longo da evolução do paciente.

Facilidade para administrar o medicamento também importa

Um aspecto interessante discutido no episódio foi a adesão ao tratamento.

Quando um animal precisa tomar determinado medicamento todos os dias, a administração não deveria se transformar em uma experiência desagradável para ele e para seu responsável.

Nesse contexto, a manipulação veterinária possibilita adequar a apresentação do medicamento às características do paciente. No episódio, foram citadas alternativas como formulações líquidas e biscoitos medicamentosos para facilitar a administração de medicamentos como o pimobendan.

O objetivo é simples: o pet precisa conseguir tomar corretamente o medicamento prescrito pelo veterinário.

Erro comum: achar que “sopro forte = doença grave”. A intensidade do sopro, isolada, não define a gravidade — é apenas o ponto de partida para exames como o ecocardiograma.

Cardiopatia exige acompanhamento contínuo

Diagnosticar uma doença cardíaca não significa simplesmente receber uma receita e utilizá-la indefinidamente sem novas avaliações.

O acompanhamento permite verificar a progressão da doença, a resposta ao tratamento e a necessidade de modificar doses ou medicamentos.

Na conversa, foi relatado que animais predispostos podem realizar avaliações periódicas mesmo antes do diagnóstico. Depois que uma alteração é identificada, os intervalos passam a depender da situação clínica. Em pacientes diagnosticados e controlados, foi mencionada como referência uma reavaliação entre seis meses e um ano, sempre individualizada pelo veterinário.

Diagnóstico precoce pode mudar a evolução da cardiopatia

Uma das principais mensagens da conversa é que não devemos esperar o animal apresentar sintomas graves para começar a cuidar do coração.

Tosse persistente, dificuldade para respirar, cansaço incomum, desmaios, alterações no abdômen ou redução da tolerância aos exercícios são sinais que justificam uma avaliação veterinária.

Ao mesmo tempo, animais idosos ou pertencentes a grupos predispostos podem se beneficiar de acompanhamento preventivo, pois algumas alterações cardíacas permanecem silenciosas nas fases iniciais.

A combinação de consulta clínica, auscultação, aferição da pressão arterial, ecocardiograma, eletrocardiograma e outros exames indicados para cada paciente permite diagnosticar e acompanhar essas alterações com maior precisão.

Na cardiologia veterinária, descobrir o problema antes da descompensação pode significar mais tempo com qualidade de vida para o pet.

Conteúdo baseado na conversa do Pod? Le Pet! com o médico-veterinário Dr. Mateus Mancilha sobre cardiologia veterinária.

Para aprofundamento científico e diretrizes clínicas, recomenda-se consultar bases como o PubMed.

Assista ao episódio completo

Perguntas frequentes sobre doenças cardíacas em cães e gatos

Quais são os sinais de doenças cardíacas em cães e gatos?

Entre os sinais estão tosse persistente, cansaço fácil, redução da disposição para exercícios, aumento do volume abdominal, respiração ofegante e aumento da frequência respiratória. Em quadros avançados, língua e mucosas podem ficar azuladas. Desmaios (síncope) também merecem investigação. Nem toda tosse é cardíaca, por isso o diagnóstico veterinário é fundamental.

Sopro no coração significa doença grave?

Não necessariamente. O sopro indica uma alteração no fluxo sanguíneo, mas sua intensidade, isoladamente, não determina a gravidade da cardiopatia. Um sopro é um ponto de partida para que o médico-veterinário decida se exames complementares, como o ecocardiograma, são necessários.

As doenças cardíacas são diferentes entre cães e gatos?

Sim. Nos cães, destaca-se a degeneração da válvula mitral, mais comum em animais de pequeno porte. Nos gatos, ganha importância a cardiomiopatia hipertrófica, cuja identificação pode ser mais desafiadora. Nos felinos, a deficiência de taurina também foi destacada como capaz de provocar alterações cardíacas.

Quais exames avaliam o coração do pet?

A auscultação é apenas o começo. O raio-X de tórax avalia a silhueta cardíaca e os pulmões; o ecocardiograma avalia estrutura e funcionamento; e o eletrocardiograma avalia o ritmo, sendo importante na investigação de arritmias. A aferição da pressão arterial também faz parte da avaliação, especialmente nos gatos.

Por que alguns animais tomam vários medicamentos para o coração?

Nos quadros mais avançados, podem ser necessários vários medicamentos para controlar consequências diferentes da doença, como congestão, edema pulmonar, hipertensão e arritmias. Por isso alguns pacientes recebem combinações como pimobendan, diuréticos, anti-hipertensivos e, quando necessário, antiarrítmicos, sempre com acompanhamento veterinário.

O que é o pimobendan e quando é usado?

O pimobendan é um medicamento que atua, entre outros efeitos, na melhora da contratilidade cardíaca. Em determinados pacientes com doença mitral em estágio B2, pode fazer parte do tratamento mesmo antes do aparecimento de sinais clínicos. A indicação e a dose são sempre definidas pelo médico-veterinário.

A facilidade de administrar o medicamento faz diferença?

Sim. Quando o animal precisa tomar o remédio todos os dias, a administração não deveria ser uma experiência desagradável. A manipulação veterinária possibilita adequar a apresentação — como formulações líquidas e biscoitos medicamentosos — facilitando a rotina e a adesão ao tratamento.

Com que frequência o pet cardiopata deve ser reavaliado?

Depende da situação clínica. Em pacientes diagnosticados e controlados, foi mencionada como referência uma reavaliação entre seis meses e um ano, sempre individualizada. O acompanhamento contínuo permite verificar a progressão da doença e ajustar doses e medicamentos quando necessário.

Em resumo, o diagnóstico precoce das doenças cardíacas em cães e gatos pode significar mais tempo com qualidade de vida. As doenças cardíacas em cães e gatos exigem acompanhamento contínuo, e o controle das doenças cardíacas em cães e gatos combina exames, medicamentos e manejo.

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