Resumo completo do episódio 06 do Pod Le Pet Santé com a Dra. Fernanda Liguori (oftalmologia veterinária)
A saúde ocular dos animais de estimação ainda gera muitas dúvidas entre tutores e até mesmo profissionais da área. No episódio 06 do Pod Le Pet Santé, a médica veterinária oftalmologista Dra. Fernanda Liguori explica, de forma prática e aprofundada, tudo o que envolve a cirurgia de catarata em pets — com foco especial na importância do pré-operatório.
Se você quer entender quando operar, quais exames são necessários e quais são as chances reais de um animal voltar a enxergar, este conteúdo reúne os principais pontos abordados no episódio.
O que é catarata em pets e quando operar?
A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino, impedindo a passagem da luz até a retina. Isso compromete a visão e pode levar à cegueira.
Diferente do que muitos pensam, não é necessário esperar a catarata “amadurecer” para operar em animais. Pelo contrário: quanto mais precoce for a intervenção (com avaliação adequada), maiores são as chances de sucesso.
Além disso, a cirurgia pode ter dois objetivos principais:
- Restaurar a visão
- Reduzir dor e complicações, como glaucoma em casos mais avançados
Por que o pré-operatório é tão importante?
Um dos principais destaques do episódio é a importância de um pré-operatório minucioso. Segundo a especialista, ele é tão importante quanto a própria cirurgia.
Antes de indicar o procedimento, é necessário:
- Identificar a causa da catarata (genética, diabetes, trauma, etc.)
- Avaliar o estágio da doença
- Verificar se o animal realmente tem potencial de voltar a enxergar
Por exemplo, casos de catarata associada à diabetes exigem estabilização da doença antes de qualquer cirurgia.
Sem essa avaliação completa, existe o risco de realizar o procedimento sem benefícios reais para o animal.
Principais exames antes da cirurgia de catarata
Ultrassom ocular
O ultrassom ocular avalia a estrutura interna do olho e é essencial no planejamento cirúrgico.
Ele permite analisar:
- Posição e condição do cristalino
- Presença de inflamações ou hemorragias
- Descolamento de retina
- Anatomia geral do olho
Além disso, o exame auxilia na escolha do tamanho da lente intraocular, quando indicada.
Eletrorretinografia
A eletrorretinografia é um dos exames mais importantes no pré-operatório.
Ela avalia a atividade elétrica da retina, verificando se as células responsáveis pela visão (cones e bastonetes) estão funcionando corretamente.
Na prática, o exame responde a uma pergunta essencial:
A retina ainda é capaz de formar imagem?
Se a resposta for não, a cirurgia não trará recuperação visual, mesmo que seja tecnicamente bem executada.
Reflexo pupilar fotocromático
Esse exame é mais simples e realizado em consultório. Ele avalia a resposta da pupila à luz (vermelha e azul), oferecendo uma ideia inicial sobre o funcionamento da retina.
Apesar de útil, não substitui a eletrorretinografia, que fornece dados mais precisos.
Nem todo animal volta a enxergar após a cirurgia
Um ponto importante abordado no episódio é a expectativa do tutor.
Mesmo com cirurgia bem-sucedida, existem situações em que o animal não recupera a visão, como:
- Descolamento de retina
- Atrofia ou degeneração retinal
- Doenças neurológicas
Por isso, os exames pré-operatórios são fundamentais para evitar frustrações.
Implante de lente intraocular: é sempre necessário?
Nem sempre.
Embora o ideal seja implantar a lente intraocular, a decisão final acontece durante a cirurgia. Fatores como rompimento de estruturas internas podem impedir o implante.
A boa notícia é que, mesmo sem a lente, muitos animais ainda conseguem:
- Se locomover com segurança
- Reconhecer o ambiente
- Ter qualidade de vida
Pós-operatório: um dos maiores desafios
O sucesso da cirurgia não depende apenas do procedimento em si.
O pós-operatório exige:
- Uso rigoroso de colírios
- Uso contínuo de colar elizabetano
- Controle do ambiente (evitar estresse, acidentes, fogos, etc.)
Falhas nesse processo podem comprometer totalmente o resultado da cirurgia.
Quando a cirurgia é indicada apenas para conforto?
Em alguns casos, o objetivo não é recuperar a visão, mas aliviar dor.
Isso acontece, por exemplo, quando:
- Há aumento de pressão intraocular (glaucoma)
- O cristalino está deslocado
- O animal apresenta dor constante
Nesses cenários, a cirurgia pode melhorar significativamente a qualidade de vida.
Evolução da oftalmologia veterinária
O episódio também destaca o avanço da medicina veterinária.
No passado, muitos procedimentos eram realizados sem exames como a eletrorretinografia. Hoje, com mais tecnologia, é possível:
- Aumentar a taxa de sucesso
- Reduzir riscos
- Tomar decisões mais seguras
Conclusão
A cirurgia de catarata em pets é um procedimento altamente técnico, que vai muito além do ato cirúrgico.
O sucesso depende de um conjunto de fatores:
- Diagnóstico preciso
- Exames pré-operatórios detalhados
- Execução cirúrgica especializada
- Pós-operatório rigoroso
Mais do que isso, depende de uma decisão consciente, baseada em dados reais sobre as chances de recuperação visual.
Assista ao episódio completo
Se você quer entender todos os detalhes explicados pela especialista, assista ao episódio completo do Pod Le Pet Santé:


